Pratique-se o respeito possível aos médicos e especialistas e aos seus diagnósticos, mesmo que às vezes, eles errem e que nem sempre respeitem o que médicos e biólogos católicos afirmam a respeito da vida. Há, porém, situações em que não é possível um católico se calar.
A nascitura Marcela de Jesus Ferreira foi diagnosticada por respeitados especialistas como anencéfala. Corre pelo país uma proposta de se permitir o aborto para os casos ausência de cérebro num feto. Ele seria um grave fardo aos pais e não sobreviveria mais do que dois dias. Parecia ser mais um dogma da medicina e consenso geral. Era usado para contradizer o dogma católico e que embrião tem o direito de crescer e nascer. Diziam eles que anencéfalo não dura uma semana. Era um quase natimorto!
Os católicos ferrenhamente defendem que mesmo um feto anencéfalo tem o direito de nascer, viva o tempo que viver. Ante a certeza que tinham, os mais afoitos defendiam o direito da gestante de abortá-lo. Não teria funções humanas. Mas Marcela viveu quase dois anos.
Católico incomoda. Quando os especialistas dizem que é morte certa em poucos dias, os católicos pedem uma chance para o feto. Marcela dura quase dois anos e então alguns especialistas mudam o diagnóstico. Começam a dizer que era micro-encefalia. Com isso, a lei de aborto para t talvez passe. E se um católico chato usar o argumento de estavam errados e que a pequena Marcela viveu quase dois sem cérebro, dirão que o diagnóstico é que foi falho.
De antemão descaracterizam o argumento dos católicos de que anencéfalos sobrevivem até mais tempo do que milhares de bebês com cérebro. Numa visita que fiz a um hospital para casos gravíssimos de corpos mal formados em Macau, 30 anos atrás, uma das religiosas me disse: – Podem não se parecer conosco, mas são gente. Merecem viver. De fato, alguns deles não pareciam humanos tal a deformação de seus corpos. Mas eram gente!
Marcela sobreviveu por nove meses. Os católicos lutaram por uma chance para a menina. Se uns são peremptórios, inflexíveis na sua defesa da vida, há os peremptórios e inflexíveis na defesa do aborto. Religiosos erram, mas cientistas também erram. Erraram no prognóstico sobre Marcela. Agora dizem que erraram no prognóstico porque alguém errou no diagnóstico.
Querem a todo custo a lei pró-aborto. Marcela poderia ser uma prova a favor da opinião dos católicos? Descaracterizam-na! Lembram o sujeito que jurava que na fazenda vizinha não crescia mamão. Ele morreria antes da colheita. Alguém teimou, plantou e colheu. Decidiram, então, que a fruta não era a verdadeira carica papaya. Seria outro tipo de caricácea. Deram-lhe outro nome. Pronto! Estava preservada a tese de que, naquela fazenda, mamão não tinha chance…




