PERPLEXOS E RELIGIOSOS

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Uma leitura da Bíblia e um perpassar pelos seus personagens mais marcantes revela perplexidade. Quem sou eu? O que será de mim e dos meus? O que será do meu povo? Quem é Deus? O que será que ele quer? Como conviver com os estranhos ou quem eu não amo?

Houve quem, a seu modo, procurasse a verdade que achou ter achado, depois se lhe escapou; tornou a procurar, interpretou-a do seu jeito, usou de mentiras e vale tudo para atingir seus objetivos e morreu, às vezes feliz, por ter ao menos buscado, às vezes infeliz e totalmente fora da verdade pela qual lutara. Perplexos a vida deles, segundo retrata a Bíblia foi a do limitado e imperfeito em busca do melhor possível. Houve os mais santos e os mais pecadores, os bons e os maus, os misericordiosos e os perversos. Mas o saldo é bom: perplexamente a maioria deles tateou à procura do melhor e do que parecia correto naquele momento. A humanidade engatinhou, escorregou e patinou enquanto subia a ladeira do futuro até que aprendeu a construir o degrau chamado diálogo.

Quem conhece a Bíblia se lembrará das histórias por trás desses nomes. Abraão, Isaque, Labão, Jacó, Esaú, José, patriarcas, Moisés, Josué, Eli, Dan, Daniel, Gedeão, Samuel, Saul, Davi, Salomão, Elias, Isaias, Jeremias, profetas, Judas Macabeu, Judite, Sara, Rebeca, Susana, Rute, Noemi, João Batista, Pedro, Paulo, apóstolos.

Parecem apenas nomes, mas atrás de cada história houve heroísmo, dores, sofrimentos, lutas fratricidas, falcatruas, mentiras, guerrilhas, morte, saques, violência, crueldade, perdão, santidade, traição, idolatrias, vinganças, assassinatos, massacres. Não poucas vezes o fizeram em nome do Deus procurado e não achado, não devidamente interpretado, mas assim mesmo proclamado.

Nem sempre quem disse que Deus lhe falou disse a verdade. Nem sempre quem disse er achado podia provar que achou. Nem sempre o pregador ou o líder que garantiu ser porta-voz de Deus disse o que Deus diria. Deus mandaria matar? Deus mandaria invadir e massacrar? Deus mandaria odiar o inimigo?

As histórias da Bíblia falam de um passo a passo, um difícil aprendizado de convivência e diálogo. O problema desses personagens muitas vezes era o outro ser humano, inclusive os da própria família. A descoberta do outro e da convivência marcou o nascer das civilizações. Aí entram grandes filósofos e líderes religiosos como Sócrates, Platão, Aristóteles, Lao Tse e Budha até chegarmos a Jesus que, para nós, cristãos, foi quem canonizou a alteridade. Ainda falaremos de Mateus 25,31-46.

Pe. Zezinho scj

© Padre Zezinho scj

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