Não é fácil viver a proposta cristã do prazer. Entre nós tudo precisa ser moderado. Para nós muitos prazeres são proibidos, terminantemente proibidos. A libido tem que ser controlada e canalizada. Entre outros ela corre solta em nome do “ aqui-mesmo-agora-já feliz.” Nós olhamos mais adiante. Cremos num céu depois e quem crê num céu depois não pode se fixar nos prazeres daqui. O sem limite será mais tare, na eternidade. E até lá acho que seremos limitados porque certamente não viraremos Deus e só ele é infinito. Então, o limite continuará, mas bem menos do que aqui neste planetinha de dores e mentiras por atacado!
Jesus, que raramente falou de sexo e relações íntimas, disse a respeito do desejo sexual: sendo fruto de amor dirigido a uma pessoa de quem se quer só o prazer: é pecado. Jesus proíbe usar pessoas. Está dito de outra maneira, mas está lá no “ amai-vos como eu vos amei!. Nem divórcio ele permite. Se era amor, então que seja para sempre! Para Jesus, amor de homem e mulher é promessa que vai além do sexo e do prazer.
Embora falte a presença e o consentimento da mulher que ele deseja, se um homem a cobiça e se ele se imagina com ela, já pecou como se o fato tivesse acontecido. Jesus vai longe nas suas exigências. Vê o desejo como adultério porque, para um lado, o pecado já aconteceu e é o suficiente para que seus discípulos vigiem até o pensamento. O outro ou a outra é um ser sagrado. O desejo acaba levando à ação. Por isso nem mesmo a imaginação nem o desejo devem ser alimentados.
Para Jesus, que propõe que sejamos garimpeiros do infinito e da perfeição, nem sexo, nem vingança, nem ódio, nem querer o que é do outro se pode permitir. Evite-se até o desejo! Não admira que tanta gente busque pregadores mais “lights” e menos exigentes. E o mundo os tem à profusão. Paulo disse a Timóteo ( 2 Tm 4,1-5) que o mundo se encheria de pregadores com discursos agradáveis.
Jesus garante que, à longo prazo, o seu jugo é bem mais suave do que as licenças e permissões do mundo. Se o assunto é felicidade, convém ouvi-lo. Ele nunca fundou nenhuma indústria de armas, ou de narcotráfico, nem permitiu a violência. Morreu sem matar! Não quis exércitos, nem guarda-costas. Nunca seqüestrou nem desviou verbas do povo. Nunca silenciou ninguém. Só fez calar o diabo. Mas libertou muita gente! Convém ouvi-lo!




