OS DOIS ÚLTIMOS PÉS

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Criativo e catequeta, Pe José, doutor em exegese, sem ferir a liturgia, gostava de surpreender o povo com gestos que a comunidade comentava por meses. Era sério no que fazia. Não brincava de liturgia nem de ser diferente. Se o fosse era por razões sérias e não para que o chamassem de moderno e progressista. Não dava importância a essas coisas. Queria o povo pensando!

Na Quinta Feira Santa de 1971, noite do Lava-pés mandou preparar um bacia maior do que de costume e uma toalha extra. Permitiu apenas 11 apóstolos no altar. O pessoal da liturgia não estava entendendo nada. E ele dizia para deixarem com ele porque aquilo era parte do seu sermão.

Lavou os pés aos onze, levantou-se , pediu ajuda, pôs a enorme bacia no meio do corredor e disse:

- Algum irmão pobre e idoso entre vocês gostaria que nossa comunidade ao menos uma vez lhe lavasse e perfumasse os pés.?

Apareceu um velhinho curvado e barbudinho que todos conheciam. Era realmente uma das pessoas mais pobres do bairro. Pensaram que o padre iria lavar-lhe os pés. Padre José então ponderou:

- Já lavei os pés de onze. Gostaria de dividir esta responsabilidade com o prefeito da cidade, mas ele está viajando. Tenho certeza de que ele o faria. Mas gostaria que algum irmão mais rico, um empresário talvez, viesse aqui fazer este gesto fraterno.

De imediato uns quatro levantaram a mão e um deles veio para a frente. Era dono de uma gráfica. Juntou-se a ele o dono de uma grande loja e os dois se ajoelharam, lavaram e perfumaram os pés do homem mais pobre da cidade. As esposas vieram juntas e enxugaram seus pés.

Foi uma noite bonita. Os dois, mais tarde ajudaram o velhinho com mantimentos. Noventa por cento da cidade achou que o gesto acrescentou algo à comunidade. Mas como há sempre os 10% do contra, alguns saíram dizendo que os dois fizeram marketing e apareceram às custas do pobre, porque um queria ser vereador e outro tinha sido prefeito.

Nas eleições nenhum dos dois concorreu. O gesto tinha sido sincero. Quem falou mal deles não foi eleito! Não é bonito ser católico?

Pe. Zezinho scj

© Padre Zezinho scj

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