O VESTIDO QUE DEU LUCRO

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Não viu quem não quis ver, mas estava lá nas bancas o resultado da campanha. Os jornais, as reportagens e as revistas não gastariam o mesmo tempo com os professores da faculdade acusada de incompetência. Continuam lecionando, ganham entre 1 e 3 mil reais por mês, depois de horas e dias de trabalho intenso na escola e em casa. A mídia não os acha interessantes. Professor não vende revistas, a não ser quando entra em greve.

Já, a moça do vestido cor-de-rosa estava lá nas bancas. Ganhou publicidade a partir do momento em que foi agredida, ofendida e escorraçada por conta do seu mini-vestido rosa. Um certo tipo de mídia viu oportunidade nela e não na faculdade. Assim, ela virou a vítima e a faculdade virou vilã.

Na última semana de outubro, muitos meses depois do acontecido e depois de muitas aparições em programas de frisson, uma revista anunciava sua nudez. Outra falava do processo por ela movido, no qual a faculdade teria que pagar milhões pela ofensa sofrida. Rendeu aquele micro-vestido! Virou indústria! Para ela, para seus defensores e para a mídia que a valorizou. Só não rendeu nada para a faculdade que, agora, terá que pensar mil vezes antes de legislar sobre o traje dos seus alunos.

Num país no qual a escola vai mal e os professores se sentem desvalorizados e até ameaçados, não são poucos os que desistem da profissão. Alguns são agredidos a socos e a pontapés, outros por palavras e reportagens tendenciosas, outros vêem seus possíveis erros ampliados, enquanto os alunos e, no caso a aluna, recebe cobertura e incenso por parte de certa mídia que se especializou nesse tipo de controvérsia.

Ainda não vi uma reportagem que desse chance aos diretores da faculdade onde aqueles fatos aconteceram. Talvez nem queiram falar porque, outra vez, se veriam contestados. Mas seria interessante ouvir os educadores sobre o magno e importantíssimo assunto do mini ou micro-vestido cor-de-rosa que fez calar uma faculdade inteira e deu voz a uma jovem ofendida.

De fato, se alguém filmou aquela explosão de intolerância, fica mais do que claro que não deveriam ter dito o que disseram dela e a ela. Não era para tanto! Mas uma escola que deve educar e nem por isso acerta em tudo, perdeu o discurso e parece não tê-lo mais achado, porque ainda se fala da moça, mas sistematicamente ignora-se a palavra daqueles educadores. Ultrapassados eles? Até que ponto? Avançado, quem? Uma escola pode ou não pode ter normas? Transgredidas, pode ou não pode punir? Se houve reação exagerada, deve ou não deve reparar? Mas, e as reações da ex-aluna? Não passaram dos limites? Pode-se depreciar uma mulher pelo que ela veste? Pode-se diminuir os negros? Os índios? Os portadores de deficiência? E, por conta de um episódio pode-se depreciar toda uma instituição de ensino? O fato é que a moça, como sói acontecer, talvez não tenha que pagar para aparecer na mídia. A faculdade, se quisesse mostrar seus outros inúmeros valores, provavelmente teria que desembolsar alguns milhares. Caímos no terreno do sensacional! Assunto para debate!

Pe. Zezinho scj

© Padre Zezinho scj

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