O DÍZIMO E A COMPAIXÃO

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O dízimo não salva. A compaixão sim! Gastar vinte a trinta minutos da pregação para arrecadar dinheiro dos fiéis é acentuar demais o dinheiro. O tempo dedicado a arrecadar ofertas não pode ser maior do que o tempo de pregação e de prece. Às vezes é. Já fui lá e já vi. E há emissoras que gastam enorme tempo por dia convencendo os fiéis a contribuírem para sua programação. Se não fecharem as contas no fim do mês, serão fechadas. Não descobriram outro caminho senão o de pedir. Terão que achar este caminho!
A pregação a favor do dízimo e de arrecadação de dinheiro está na Bíblia. É claro que o dinheiro é necessário para erguer obras nascidas da fé. Malaquias, só para citar o último livro dos profetas do Antigo Testamento, é duro contra quem não paga o dízimo integral. É dez por cento e não tem choro! ( Ml 3,8)
O que não se ouve muito dos pregadores é a condenação dos juros excessivos da pregação exagerada do dízimo; dos pregadores que sob pretexto de longas orações exploram as casas de pessoas com alguma posse para arrancar dinheiro delas (Mc 12,40 ); dos que cobram o dízimo até das ervas e da hortelã ( Lc 11.42 ), mas omitem o essencial que é a caridade para com os pobres e os demais deveres sociais ( Mt 5,23).
Se não falam em favor dos pobres, se não enfrentam traficantes e poderosos, se usam de sua pregação para nunca tocar naquilo que fere o povo de Deus, o dinheiro arrecadado acaba servindo apenas para pregar salvação e santidade pessoal, nunca a justiça, os direitos humanos, a caridade e a santidade coletiva, que nascem de leis justas e de anúncio e denúncia.
Quando as igrejas e acampamentos de re-avivamento da fé se tornam abrigo estratégico para onde o fiel deve ir três vezes por semana receber a proteção, as águas e os descarregos; quando a ênfase é no “venha a nós” mais do que no “ide aos que sofrem”, os templos correm o risco de se tornarem agências arrecadadoras ou centrais do dízimo. A insistência demasiada no dinheiro e uma certa intransigência quanto ao dízimo integral podem colocar em descrédito uma Igreja ou aquele grupo de fé.

Admire-se e elogie-se os que arrecadam com serenidade e moderação. Reaja-se contra os que enfatizam demais o dinheiro dado a templo e pouco falam do dinheiro dado aos pobres. Bem fez aquele pregador que, para que seu povo não confundisse o dízimo com a justiça, pôs dois cofres no seu templo: um de quase um metro para os pobres e sujeito a contagem e verificação por um comitê de fiéis e outro um pouco menor para as obras do templo. Num estava escrito: Manter a pregação. No outro: Não haja fome entre nós! Segundo os seus paroquianos os dois cofres estavam sempre cheios. Ali, o dizimo nascia da gratidão e da compaixão!

Pe. Zezinho scj

© Padre Zezinho scj

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