No dia 19 de outubro de 2006, quinta-feira às 17:43 h, ouvi a notícia, enquanto voltava de carro para São Paulo. Cerca de 20 mil mulheres atravessavam anualmente a fronteira Portugal–Espanha, para abortarem porque em Portugal era proibido. Estaria havendo um referendo em Portugal para ver se o país autorizaria o aborto em clínicas particulares o do governo.
A notícia era dada de maneira a inferir que a lei era injusta para as mulheres e que as mesmas eram vítimas. Mas, o jornalista que deu a notícia não quis contar o outro lado da história. Seres humanos concebidos, incapazes de se auto defender, seriam mortos, autorizadamente mortos do outro lado da fronteira na Espanha. Queriam para as mulheres o direito de extrair os filhos em Portugal. O argumento é que a mulher não deve ser obrigada a ser mãe e que feto ainda não é gente. Por isso fala-se dele como se fosse um tumor ou um abscesso.
Para quem acha que feto é apenas um monte de carne, e não tem o direito de nascer, a lei do aborto parece justa. Para quem acha que o encontro de um espermatozóide com um óvulo gera uma possibilidade e que este feto tem o direito de conhecer a vida, o aborto é uma tremenda injustiça. A mulher pode falar e dizer que não quer este filho agora. O feto é mudo! Mas, se pudesse, já sabemos o que diria. Quem luta pelo direito de abortar considera-se progressista, mas não dá esta chance a um futuro ser humano que agora talvez seja menor do que um polegar da mãe. Quem luta pelo feto quer que ele conheça este planeta. Acusam-no de conservador. Então ser conservador e querer que uma vida prossiga não é assim tão errado! Interrompê-la é bem mais errado!




