MEUS AMIGOS E SEUS LIVROS

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Sei de amigos que nunca leram meus livros e jamais is lerão. Não faço parte do seu cardápio intelectual. Isso não nos impede de sermos amigos. Há livros profundos de gente profunda, que busca um sentido para a pessoa, a comunidade, o mundo, a vida, o sexo, as relações humanas, o antes, o durante e o depois daqui. Alguns são frutos de cinqüenta anos de estudos. Enriquecem a mente. E há os frívolos que, tendo pouco a dizer, dizem-no como se aquilo fosse a quintessência do saber.
Se você acredita no repolho como solução universal de saúde, leia-os. Dura o tempo de uma hortaliça. Mas se quer algo que dure, procure os pensadores profundos.Faça o mesmo com políticos e pregadores de religião. Veja se estão oferecendo repolhos, alfaces ou abacateiros. Se quiser o imediatismo compre aqueles produtos, mas saiba que são perecíveis.
Alguns livros deveriam vir com o rótulo: produto altamente perecível. Na minha estante, nem sequer coloco os livros perecíveis. Ponho nela livros que sei que usaria no futuro, porque contêm conceitos que não se esgotam com os primeiros manuseios.
Digo isto sabendo que outros podem pensar o mesmo de meus escritos. São os riscos de quem tem opinião e a emite!
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Respeito todo e qualquer escritor que me dá seu livro de presente. Leio e manuseio. Se, porém, não me agrada, deixo-o de lado e, com o tempo, passo adiante. Alguém poderá gostar dele. Não é porque não gostei, que o livro é ruim! Mas não tenho obrigação de gostar de um livro que alguém me ofertou, a mesma forma que outros não têm que elogiar ou gostar de meus escritos.
Nenhum autor pode exigir, mesmo em nome da amizade, que seu livro seja lido. Tenho escritos mais de 80 livros. Não espero que meus amigos os leiam ou guardem. Não condiciono a amizade à concordância. Tenho grandes amigos em cujas estantes não estão livros meus. Entendo. Eu também não tenho nas estantes os livros de todos os meus amigos que já publicaram alguma obra. Quem discorda de meus livros também é meu amigo. Tenho colegas sacerdotes de quartos vizinhos ao meu que nem sabiam que eu tinha escrito um livro sobre pais e filhos. Não fiz propaganda e eles tinham outros autores a recomendar. Isso não prejudica nossa amizade! Sou apenas um entre milhares que escrevem.
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Um casal,que eu tinha como amigos, rompeu a amizade comigo porque não escrevi sobre o livro de sua filha acadêmica. A moça entendeu. Eles, não! Acharam um absurdo que eu não divulgasse o fruto intelectual da sua menina. Perguntei, na época, se eles tinham lido os meus 40 livros. Não tinham! Perceberam a incoerência, mas afastaram-se de mim. Respeitei. A escritora é minha amiga e já lhe indiquei vários para a sua especialidade. Ela, outros tantos a mim! Para nós, um livro é apenas um modo de expressar nossas idéias
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Os que condicionam a amizade ao elogio perdem o sentido da amizade. Se alguém escreve algo com o que não concordo, o melhor gesto de amizade é analisar aquele escrito e opinar. Confundir discordância com discórdia é não entender a dinâmica do pensamento humano. Se discordância fosse desamor, os pais não poderiam discordar dos filhos. No entanto discordam e seguem amando!…

Pe. Zezinho scj

© Padre Zezinho scj

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