Há pessoas para quem orar é uma segunda natureza. Sentem necessidade de falar com o Criador, dialogar com Deus. Precisam desse encontro com a divindade e com o sobrenatural, precisam falar com o céu e falam com a maior naturalidade, por que acreditam que o céu as ouve.
Afirmam e apostam que lá no céu está o Criador e Ele é Pai. Acreditam num Deus acolhedor, paterno, que se importa. Acreditam também, que muitas pessoas já foram para o céu. Por isso, conversam com essas pessoas que estão em Deus. Para elas, o trânsito entre a Terra e o Céu é sereno e tranqüilo. Na sua cabeça e também no seu coração, estão convencidas de que, Deus ama, ouve, interessa-se, importa-se. Acreditam também que quem está com Deus, ama, ouve, interessa-se pelos daqui da Terra.
Não é a mesma coisa pra aqueles que não têm o hábito de rezar e para quem orar é difícil. Não é que eles não queiram ou não acreditem. Eles acreditam! Apenas não acreditam o suficiente para a toda hora estar conversando com Deus. Por vezes acreditam, mas não amam o suficiente para poder se comunicar com Deus. Orar é primeiro uma questão de amar: mais do que questão de crer. Você pode crer e não querer se comunicar. Mas, quando ama, você quer se comunicar.
É por isso que os namorados se telefonam, procuram-se e escrevem cartas, os amigos se telefonam, pais e filhos sentem saudade, passam telegramas, gastam até o que não podem com telefone, escrevem cartas, mandam e-mails. Querem se comunicar; quando é possível vão visitar, chamam “Vem cá! Estou com saudades, me dê um beijo!” “Oi filhão, faz dois meses que não te vejo. O que é que aconteceu filho?”.
É assim! Quem ama quer ouvir e se comunicar. À medida que o amor vai acabando as pessoas querem se ver ou telefonam menos, acham o outro chato e querem ficar longe. O sentimento estremeceu. Não á o que conversar. Estando bem, querem se ver. Quanto mais se amam, mais querem se ver. Quanto mais se desejam mais querem se encontrar e orar, falar, pedir, dar, estar juntos!
No plano espiritual é semelhante. Se você de fato crê em Deus e, além de crer, ama, então você terá vontade falar com ele; terá vontade de abrir o seu coração, não só a seu respeito, mas também, a respeito dos outros.
Para algumas pessoas orar é fácil, porque são capazes de muitas outras virtudes; são capazes de amar, elogiar, ouvir, pensar e perdoar. Por isso, também, são capazes de orar.
Nem todo mundo descobriu a oração como doação. É por isso, que devemos de vez em quando abrir o nosso coração para Deus e dizer o que nos vai na alma. Mesmo que a gente diga com dor e até brigando com Deus – como Jacó que brigou a noite inteira com um anjo de Deus-. Foi uma comunicação e tanto! Moisés discutia com Deus, mas o amava. Pedro discutia com Jesus, mas era amigo. Tinham o que conversar! Amigos sempre têm!
Amar não quer dizer concordar com tudo. Quer dizer abrir o coração. Às vezes dois amigos discordam, mas continuam amigos de verdade.
“Você me fala umas verdades doídas, mas sem você o que seria de mim?” Amigo faz essas coisas. Deus também, diz verdades que nos sacodem e nós também devemos dizer a ele as verdades doídas que estão lá dentro de nós. Falemos com Deus. Quem não é capaz disso, peça essa graça, por que orar é uma graça. Nem todo mundo a descobriu. É sempre gratificante saber que alguém querer o autógrafo e um dedinho de prosa com o Criador de Brasília, ou com o autor de algum livro notável. Você não gostaria dessa chance? Então, porque será que a gente não sente a mesma vontade de pedir um autógrafo e um dedinho de prosa com aquele que nos criou?




