HOMEM COM HOMEM

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Sua igreja era contra, seus pais eram contra, seus amigos eram contra, seus irmãos se opunham, sua irmã achava errado, mas ele foi viver com um moço da sua idade. Os dois, 28 anos.
Assumidamente, ele declarava não sentir atração por mulheres, mas sentia por homens. Achara um homem a quem dizia amar e com quem pensava viver o resto de sua vida. Relacionava-se com ele.
Não foi uma escolha fácil, mas era isso que queria para si. Um dia, o pai, a mãe e os dois irmãos procuraram um pároco, padre jovem, estudado em Roma, para pedir a ele uma orientação. Como tratar um membro da família que escolhera viver maritalmente com alguém do mesmo sexo?
Ele insistia em trazer o parceiro para as festas e encontros familiares, e nisso, o pai e a mãe eram inflexíveis. Isso não! Nunca! Poderia vir, mas sozinho. Sozinho ele não queria vir. O conflito era grave. E esteve sempre presente. Desde que o ser humano se organizou em sociedades e estas cresceram, a questão se agudizou. Algumas igrejas aceitam. A maioria, não. Dentro das igrejas que aceitam muitos reagem contra.
O pároco deixou cair a sua sentença.
- Seu filho fez uma escolha sabendo da sua discordância. Imagino que já tenha entendido que não pode forçar vocês a aceitarem o companheiro dele. Perante a sociedade brasileira, ele tem direito às próprias convicções, sejam elas certas ou erradas. Vocês tem direito as suas, certas ou erradas. Como a casa não é dele, ele terá que respeitar os sentimentos de vocês, mas vocês terão que respeitar o jeito de ser dele, sem palavras duras, sem agressões e sem violência. Vocês esperam que ele mude e eles esperam que vocês mudem. Mas, como isso parece que não vai acontecer tão cedo, é bom que os dois lados mudem de atitude: que parem as agressões, os palavrões e as ofensas!-
E prosseguiu:
-A igreja não favorece união e atitudes homossexuais, mas também não favorece agressões, ofensas e atitudes violentas. Vocês viverão a sua frustração de ter um familiar homossexual na casa e ele viverá a frustração e a solidão de não ser aceito por vocês e não ver seu companheiro aceito e nem admitido na sua família. Vocês não pediram alguém com as convicções dele e ele não pediu uma família com as convicções de vocês. Para não se ofenderem mais do já se ofenderam, mantenham distância. Mas, mantenham também o respeito.

Ao saberem da resposta do padre, alguns militantes gays disseram que o padre tinha preconceito velado. Outros disseram que o padre falou o que tinha que ser falado.

Pe. Zezinho scj

© Padre Zezinho scj

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