Na idade média e pelos séculos seguintes, até o século 19, os compositores eram chamados a compor missas, peças clássicas para deleite dos áulicos e dos hospedes do rei. Sua missão era, também, ensinar música para aqueles talentos que aparecessem. Foi assim com Mozart, Bach e compositores famosos. Entre eles houve sacerdotes como Vivaldi e Palestrina na Itália. No Brasil houve um sacerdote negro chamado José Maurício que também compôs peças sacras de elevado valor artístico.
A missão de muitos músicos famosos também era compor “réquiems” e liturgias especiais para os atos solenes das igrejas e catedrais. Eram muito valorizados, muito requisitados e muito admirados. Alguns deles foram um tanto quanto irreverentes, mas outros levavam seu papel a sério. Fizeram disso seu caminho na Igreja, e até caminho na vida de santidade.
Mas o ministério ficou esquecido por um tempo e o velho organista das catedrais, as cantoras dos corais foram substituídos por amadores que não tinham a música como profissão e vida. Dali por diante, na maioria das Igrejas, não só aqui, mas em muitos outros países, alguém que não sabia cantar nem tocar direito, mas que tinha enorme boa vontade fez este papel, porque as Igrejas e os governos já não pagavam o artista. Já não reservavam dinheiro para o cantor do coro, e com isso, a música ficou nas mãos de amadores e voluntários. Num certo sentido, democratizou-se, mas acabou com a profissão de cantor religioso. Exceto por alguns santuários como o de Aparecida, que contrata excelentes cantores e cantoras, ainda reina o amadorismo nos templos.
Em algumas igrejas estão voltando, aos poucos, os músicos profissionais, cristãos que assumem esta tarefa como sua profecia. Há padres, reverendos, religiosas e leigos que assumem a arte como tarefa de evangelização. Muitos grupos jovens fazem desse o seu serviço na Igreja, dando shows para multidões, cantando e abrilhantando liturgias. Que se multipliquem!




