Algumas pessoas sofrem de maneira incomum e acima do comum, a ponto de elas mesmas, seus amigos e familiares se perguntarem o porque de tanta dor. È mais do que humanamente se pode suportar. Há indivíduos que sofrem desde o dia do nascimento; para outros a dor apareceu na infância ou na juventude e nunca mais foi embora. Entram e saem dos ambulatórios e consultórios, mas a dor continua. Médicos, cientistas, psicólogos, psiquiatras e religiosos sérios buscam explicação, paliativos e solução dessas dores. E há os franco atiradores que em nome da pseudo-ciência e da pseudo-religião garantem que curam qualquer doença. Fazem alarde da cura, mas depois preferem não noticiar, quando volta o sofrimento. Aí não há microfone à disposição de quem foi tido como curado, mas agora quer anunciar que o milagre não aconteceu e o tal caroço não foi eliminado.
Há uma dor que nunca mais vai embora, uma que vai e que volta e uma que vai e nunca mais volta. A religião e a ciência sabem algumas respostas, muitas até, mas a dor humana permanecerá sendo o que é, um mistério. Alguns encontram respostas, outros não. Há os que aceitam e há os que se revoltam, brigam com Deus, declaram que Ele não existe ou não liga. E há os que não entendem, mas se conformam.
Tristeza, amor e riso são mistérios. A dor também, com uma única diferença: desafia o amor e a paz e por isso é muito mais difícil conviver com ela. Nós a chamamos de cruz. Às vezes não há como impedir que alguém a carregue, nem como tirá-la de seus ombros. Mas é sempre possível ajudá-lo a carregá-la e torná-la menos pesada. Deveria ser este o papel de todas as religiões e de todos os crentes, sem promessas falsas nem respostas mágicas.
O mundo tem grandes sofredores, grandes curadores e milhões a serviço de quem sofre. Merecem respeito. Também tem os que tripudiam sobre a dor do outro e brincam com ela. Fazem de conta que a dominam e curam. São os charlatões da medicina e da fé. Receitam ervas e remédios que sabem que não curam, fazem passes e preces que garantem infalíveis.E não são.
São milhões as vítimas da dor e é difícil dizer se o ser humano de ontem sofreu mais do que o de hoje. Se é verdade que o progresso aliviou muitos desconfortos e muitas enfermidades, o mesmo progresso aumentou a capacidade de produzir mais morte e mais dor. As balas, as bombas, as drogas e as facas andam superando o poder da prece, dos comprimidos e do bisturi. A dor cresceu em escala geométrica. Agora se fere e se mata por atacado! Os agentes da guerra, das drogas e do terror que o digam.




