EM NOME DO PROGRESSO

Voltar

O madeireiro quer o tronco em nome do lucro, da indústria e do comércio e, segundo ele, do progresso. O cientista quer as células-tronco em nome da ciência, da pesquisa e, segundo ele da vida e do progresso.

O madeireiro tira a vida do tronco em nome do progresso. Morra a árvore e viva o consumo, por que o consumo é crescimento! O cientista mata o embrião para ter as células–troncos em nome da vida ferida. O madeireiro diz que queria o bem da árvore que morreu e das muitas outras que também morreram para ele chegar à árvore que cobiçava. Argumenta que a árvore morta deu cadeiras, camas, e móveis para milhares de pessoas. Esquece as que ele matou para chegar à árvore útil.

O cientista diz que o embrião que é um inútil-útil morreu para um dia haver reconstituição dos órgãos de alguém útil. Se não matar o embrião e não pesquisar a resposta não virá.

A Igreja diz que tem que haver outro caminho: o embrião não é pedaço de vaca, zebra ou cavalo e sim um ser humano em formação, não se sacrifica um futuro ser humano em nome dos que já nasceram. O cientista diz que deseja apenas os embriões que ninguém usará e que jamais serão seres humanos inteiros porque não nascerão, quer ele use ou não.

A discussão se acalora e um começa a adjetivar o outro com epítetos desrespeitosos: retrogrado, ultrapassado, assassino, atravancador do progresso. O defensor do embrião e do feto é acusado de crueldade para com os feridos à espera da cura, o que propõe a morte do feto é visto como assassino.

E a pergunta continua pode-se matar uma árvore para que vire medicina? Pode-se matar um embrião para que vire remédio? O embrião é humano ou não é? Precisa ser maior do uma unha e ter 14 dias para ser um ser humano? Com quantos centímetros ele deixa de ser coisa para ser humano? Quem decide isso? Os cientistas? Os religiosos? Os juízes? Os políticos? A mídia? O povo? Pode-se votar sobre algo que transcende ao homem? Pode-se votar a existência de Deus ou do demônio? Se não se pode votar sobre tais verdades, também não se pode votar sobre o momento em que uma vida começa a ser humana. Decidir sobre isso está acima da capacidade de oito, treze ou cem mil juizes reunidos. Eles também são falíveis.

Pe. Zezinho scj

© Padre Zezinho scj

Wallmedia