ELEGANTES, RETOCADOS E ATRAENTES

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Nada contra a maquiagem e o retoque. A maioria precisa. Mas tudo contra o exagero. Nosso tempo se tornou a era do visual, que precisa ser elegante, atraente, bonito, se possível metro-sexual. Tudo na medida do belo, do estético, do sedutor. É questão de sobrevivência. Não há lugar para aqueles cujas formas corpóreas não agradam e, se houver, terão que ser muito inteligentes, muito engraçados ou muito talentosos. O cidadão comum não tem muita chance se não for esteticamente apresentável e se não agradar aos olhos. Já a beleza em muitos casos vale no mínimo seis talentos. Quem é bonito já larga na frente!

Há uma beleza que leva ao sucesso. A que leva ao abismo infelizmente, também existe. Em alguns casos, basta ser bonito para se conseguir o emprego, mesmo que a pessoa não tenha outras qualificações. Na era da super exaltação do corpo, o corpo é em si mesmo uma qualificação.
O raciocínio é aberto:
-Sou bonita, logo conseguirei esse emprego, mesmo que não seja capacitada.
-Sou bonito e tenho mais chance de conseguir esse emprego, mesmo que não tenha a capacidade dos outros. As empresas olham não apenas, mas também a aparência. Pequenos e grandes novos deuses, eles e elas, transitam pela mídia, pela televisão, por outdoors e revistas ostentando aquilo que constitui seu maior apanágio: um corpo para ser visto e desejado!

Beleza dá lucro. A moça, extraordinariamente linda e inteligente, que trabalhava como inspetora de qualidade numa firma exportadora sofreu o constrangimento de ter sido convidada para entreter e agradar o dono de uma firma espanhola que viera estudar a compra daqueles produtos. Ao reagir indignada, recebeu o recado de que tinha sido contratada pela beleza e não por outros atributos. Não foi. A partir daí complicaram tanto a sua vida que ela pediu demissão. Infelizmente não foi a primeira nem será a última.

Numa era como essa, o que pode e deve fazer uma Igreja que se diz cristã e que anuncia o corpo consagrado do Cristo, mas também massacrado e crucificado? O que faz uma Igreja diante de tantos corpos mutilados e feridos, sem estética? O que faz ela com eles e o que pode fazer por aqueles que, não tendo um corpo de deuses humanos, têm, porém, um coração extraordinariamente bonito e humano? Que pais e catequistas respondam! Passa por eles o conceito cristão do corpo.

Pe. Zezinho scj

© Padre Zezinho scj

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