Algumas pessoas, homens e mulheres, têm dentro de si um chamado tão forte para a solidariedade e para a alteridade que chega a parecer inato. É como se nascesse com seu DNA carregado dessa virtude.
Inserem se no projeto social; querem para os outros o que conseguiram, querem até mais para os outros do que para si. Dedicam suas vidas para melhorar as dos outros; são felizes, mas querem que outros também sejam; pensam pouco em si e muito mais nos outros.
Mas engana-se quem pensa que alguém nasce com isto. Vai se desenvolvendo desde pequeno e, de repente, descobre este caminho, assim como alguém que tem voz bonita descobre, mas a seguir desenvolve o dom de cantar. Solidário não é quem nasceu bonzinho, mas quem desenvolveu o dom de ajudar os outros e optou por esta maneira de viver.
Aquele que tem voz bonita e não desenvolveu o gosto pela canção e o dom de cantar terá apenas voz bonita. É assim, também aquele que tem desejo de ajudar mas não o desenvolve jeito. Será apenas gosto, mas nunca se tornará solidariedade. Ela é virtude a ser desenvolvida, fruto de treinamento e exercício constante, é um querer bem o tempo todo, não só numa fase da vida.
Solidariedade é genuinamente viver para que o outro seja feliz. É sentir-se um entre bilhões, mas consciente de que ajudara estes bilhões melhorando a vida dos vinte ou trinta que diariamente lhe passam perto. Um pouco é tendência e outro pouco é persistência. Os solidários são trabalhadores especializados em aproximar-se principalmente de quem precisa.




