DIREITO NOTA ZERO

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Aquela rejeição não veio de repente. Foi construída passo a passo, ano após ano. Seis filhos tratados com amor, afeto, oportunidades iguais e correção sempre que necessária. Boa mãe ela era. Severa quando preciso, aberta a diálogo sempre. Mas não era de deixar passar desvios ou erros.

A filha mais nova veio diferente. Nunca aceitou desde criança qualquer crítica ou proibição. O rosto avermelhava e ela batia o pé e a cabeça contra a parede. Contrariá-la, jamais! Os irmãos percebiam e reagiam. A mãe tinha que interferir.

Cresceu e não mudou. Ninguém mandava nela. Construiu para si uma carreira de advogada, não sem a ajuda de tios e amigos da família. Chegou lá e ignorou tudo. Não! Ela subira na vida por mérito pessoal. Um dia envolveu-se em comportamento reprovável. Apossou-se de um bem que não lhe pertencia. A mãe foi dura!

Ela cedeu e devolveu, mas foi o fim do relacionamento com a mãe e com a família. Nunca mais veio visitar pai, mãe e irmãos. Nem nas bodas, nem nos aniversários, nem nas doenças. Davam recados, mas ela não retornava. Ódio construído e solidificado!

Se foi feliz? Não foi. Os quatro relacionamentos não deram certo e ela riscou todos de sua vida. Riscou cinco amigas de sua lista. Conservou duas que concordavam em tudo com ela.

Aos 35 anos arrumou um filho num relacionamento fugaz e despachou o pai. Não se casou. Ele ganhou o direito de ver o menino. Ela não falava com ele. Saia de casa no dia da visita do pai.

Se precisava da religião e de psiquiatra? Sim. Faltou a realidade. Colocara-se acima de tudo e de todos e tinha de si um conceito tão alto que ninguém tinha estatura suficiente para ombreá-la. Chegou aos 45 anos com enorme agressividade que ninguém quis ser amigo dela. Em resposta ela dizia não precisar de ninguém. O filho crescia e ela nunca se aproximou do pai do garoto.

Era a fera do tribunal. Venceu quase todos os casos e ganhou muito dinheiro. Mas o filho chegou aos doze anos e começou a fazer com a mãe o que ela fizera com outros. Não lhe dava satisfação de nada e não aceitava ordens.

Quando ele completou 16 anos ela apareceu com ele em casa do pai. Entregava-o ao pai porque tinha que ir para a Europa e não tinha com quem deixá-lo. O pai, já casado com outra, aceitou.

Deu-se bem. O rapaz sossegou perto do pai amigão e paciente. Ela voltou dois anos depois. O filho não quis voltar a morar com ela. Ela poderia vê-lo de vez em quando. Nunca veio!

Boa de briga no tribunal, boa de briga na vida. Venceu quase todos os casos em que era preciso convencer o júri. Perdeu todos aqueles nos quais precisaria ser menos convencida!

Moral da estória: Aplicar o Direito: nota dez. Viver direito: nota zero!

Pe. Zezinho scj

© Padre Zezinho scj

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