DEUS O DEMÔNIO E OS NOVOS CRENTES

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Fenômenos mostrados pela televisão, portanto, imagens que invadem nossas casas, ressaltam, hoje mais do que antes, antigas e novas imagens de Deus e do demônio. São imagens pintadas por pregadores ou fiéis que dão seu testemunho e passam a ser ou não aceitas pelos crentes. Não se trata de algo novo. É apenas discurso mais intenso e mais difuso por causa das novas antenas. Antigamente espalhava-se a notícia de que tal ou tal lugar tinha um demônio, mas chegava deturpada meses e anos depois. Hoje graças á tecnologia digital chega deturpada na hora! Tecnologia moderna, fé ultrapassada.

Duas histórias abordam esta realidade. O livro de Karen Armstrong História de Deus e o de Roger Muchembled Uma História do Diabo nos remetem ao estudo do homem, da sua ousadia de garantir que viu e que sabe e das suas crenças. Um trata da procura e da lenta, confusa e gradual descoberta de Deus em três grandes religiões ( judaísmo, cristianismo, islamismo). O outro fala das imagens criadas pelos pregadores e pelo povo simples a respeito do mal no mundo e da figura do diabo como encarnação deste mal. Não estudam nem Deus nem o diabo e sim o que se disse sobre Deus e sobre o diabo.

Judeus, cristãos católicos e evangélicos e agora os pentecostais e os islâmicos, têm longas e tristes histórias de pregadores que pintaram Deus e o demônio do seu jeito e pretenderam ser este era o jeito certo. Milhões de crentes em Deus estavam e estão crentes de que Deus e o diabo são do jeito que eles imaginam. Os fiéis acabam crendo no Deus e no demônio daqueles pregadores e não na verdade.

Inventam recados que Deus não deu nem daria, criam demônios que falam ao microfone do pregador com voz distorcida- porque demônio que é demônio jamais fala bonito- E tais demônios respondem exatamente o que os fiéis devem ouvir naquele canal e naquele ritual. Pregadores usam em voz alta o nome de Jesus para dar a entender que Jesus lhes deu o domínio sobre os demônios. Que demônios? O da tontura, da unha encravada, da diarréia que não passa. Mas passam a ser demônios porque o pregador disse que são.

O mundo está cheio de demônio que se cura com um comprimido ou uma boa injeção no lugar certo. São os demônios criados por pregadores que teimam em não estudar a História ou em não aprender com ela. Se estudassem mas, talvez não repetissem pregações que mais afastam do que levam á verdade.

Eles sabem, mas não admitem que uma coisa é afirmar que Deus é possível e existe, outra é afirmar como Ele é ou publicar os novos recados que ele supostamente está dando. Uma coisa é afirmar que o demônio é possível e existe e outra dizer como ele é, como se parece e reproduzir sua fala ao microfone. Acredita quem quer, porque neste caso está acreditando não na bíblia, mas naquele pregador que diz captar a voz do demônio e ampliá-la para os seus fiéis. Quem cr~e que fique. Quem não crê, que vá embora!

Gente simples e menos orientada tem medo de tomar essa decisão. E se for o demônio? Mas aí vem a outra pergunta: – E se não for? Em nome de Jesus alguém está mentindo a você e você e com o seu dízimo esta sustentando essa mentira! Saiu de uma igreja que lhe ensinava a crer na oração silenciosa e sem ruídos dos santos do céu para acreditar numa outra que lhe reproduz a voz do diabo pelo microfone? É isso que você chama de fé?

Não podia acreditar na imagem calada dos santos porque o santo católico não falava, mas agora consegue acreditar no diabo que fala, só que sem imagem? Não agüentava as imagens de santos, mas suporta ouvir a voz do diabo? Que pregador o enganou mais: quem lhe mostrou uma imagem silenciosa de santo que não falava, ou quem lhe joga nos ouvidos a voz do próprio diabo em conversa com o novo pregador?

Os pregadores católicos queriam convencê-lo de que aquela imagem lembrava um santo que nos ensinava que Jesus tem poder. Os da sua nova igreja querem convencê-lo de que aquela voz ao microfone é do demônio e que ele lembra que Jesus tem poder. Era isso que você queria ouvir? Não quis ouvir a mensagem silenciosa de S.Francisco ou de São Vicente de Paula, mas agora, convertido para a nova fé, aceita tranqüilo ouvir a voz do diabo controlada pelo seu novo pastor? Será mesmo que o seu pregador tem mais poder do que os de outras igrejas cristãs, que se limitam a anunciar as palavras de Jesus sem a voz de Jesus ou os testemunhos dos santos sem a voz dos santos? Era isso que você queira ouvir?

Quem quiser refletir sobre o que se disse de correto e sereno sobre Deus e sobre o demônio deve ler os historiadores. Muitos desses acertos ou desvios estão registrados em documentos, testemunhos e histórias. A pregação sobre satanás nem sempre foi serena. Veio cheia de medo e proibições em todas as igrejas que lhe deram ênfase. Com o tempo os pregadores viram mais demônios do que realmente havia lá. Talvez os demônios estivessem mais nas retinas de pregadores e fiéis o que na vida real. Tiveram visões de anjos e santos e demônios que não apareceram porque não estavam lá.

Muitas pessoas morreram assassinadas, queimadas e torturadas no cavalete, porque alguém que chegou ao poder queria expulsar o demônio que ele achou que estava nelas. E não havia nenhum demônio. Era disfunção, que hoje se sabe ser psicose, neurose ou histeria. Enfermidades, sim , mas não de satanás. Pé torto, espinha curvada, olhos saltados, tremor de mãos, instabilidade mental, histeria bastava isso para declarar que alguém era bruxa ou tinha o demônio. De uma pobre e santa freira que nos anos 700 comeu uma verdura contaminada por um tipo de caramujo ou aranha e morreu no mesmo dia com sintomas de grave envenenamento, disseram que fora possuída pelo demônio. Comera um diabinho!

Anunciava-se demônios que flutuavam no ar e que os fiéis poderiam respirar; assim como havia anjos respiráveis. O fiel orava e pedia a bênção do pregador para não respirar o demônio daquela região…. Chegaram a esse ponto! O dominador criava o deus e o demônio daquele templo e daquela hora e o dominado vivia com medo. Corria ao encontro do pregador que assim controlava a sua vida.

Não é muito diferente, hoje em dia. A lista de demônios de algumas igrejas é vasta. Adivinha quem pode libertar desses demônios? O pregador! Quando? Onde? E o que o fiel deve fazer para sentir-se livre?… É só falar com ele! Para quem lê a História das Religiões não deixa de ser um triste retrocesso. Voltou o domínio do demônio que só pode ser vencido pelo domínio do Cristo que, por sua vez só autoriza a eles, os novos pregadores e as novas igrejas. Garantem que são o novo endereço da paz. Leia Mateus 24, 24-25 onde Jesus manda desconfiar também deles e conclua. Prevenir Jesus já preveniu. Não o ouve quem não quer! Não foi o demônio que voltou. Quem voltou foram os pregadores que dizem ter poder sobre ele! Sobre ele ou sobre os demônios que o pregador inventa? Já leu Atos l9,14-20? Não deixe de ler!

Pe. Zezinho scj

© Padre Zezinho scj

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