Jesus curou muita gente e dialogou com pessoas de outras religiões, mas jamais impôs que o seguissem. Deixava a pessoa livre. Nunca usou de artifícios para converter alguém. Foi assim com o Centurião Romano, com a Cananéia, com o jovem rico e com a Samaritana. Não cobrava adesão ao seu grupo. Respeitava o caminho espiritual dos outros. Propunha, mas não puxava. Pelo contrário, libertou os discípulos. Se quisessem, também eles ir embora, poderiam ir… (Jo 6,67).
Conto a história de Aldo e de Janice. Eram jovens. Apaixonaram-se e, como nenhum dos lados ou família admitia que os filhos casassem com alguém de outra igreja, ela cedeu. Deixou os pais magoados, que, a conselho de um padre, aceitaram a decisão da filha. Não romperam com ela. A Igreja do noivo venceu. Isto, em 1958. Tiveram cinco filhos. Em 1998, quarenta anos depois, nenhum dos filhos estava naquela igreja. Tinham aderido a outras confissões de fé e casado com pessoas de outras igrejas. A lógica foi implacável. – “Se foi certo nossa mãe mudar, nós também podemos.” Adesões ditadas por outra razão que a fé costumam gerar conseqüências. Os filhos de Aldo e Janice são excelentes pessoas, mas não hesitaram em mudar de fé. Sua mãe não hesitou.
Deu-se o mesmo na família católica do Ademir que exigiu que a futura nora Celma se convertesse para casar com o seu filho. Como ela o amava muito, considerou o casamento um bem maior do que a fé. Batizou-se católica. Isto há trinta anos atrás. Hoje eles e os três filhos freqüentam uma igreja pentecostal. Não tinham raízes. E não parecem ter agora, porque já é a segunda igreja pentecostal que freqüentam.
Há um tipo de adesão a Cristo que parece, mas não é adesão a Ele e, sim, a uma pessoa que o segue. Para casar com alguém muito amado que não cede, cede a pessoa de menor convicção. Mas com o amadurecimento pequenos detalhes e lembranças do passado podem voltar. Muitos convertidos voltaram às suas igrejas de origem. O acento e a ênfase daqueles pregadores os convenceram naqueles dias, mas depois perceberam que seus irmãos e parentes que ficaram estavam bem mais tranqüilos onde permaneceram. Transplante de flores é sempre algo arriscado. Elas podem morrer no novo canteiro. Depende do tipo de transplante. Em muitos casos eram jardineiros querendo encher o seu jardim, mas esqueceram que as raízes são fundamentais na vida de uma flor…




