Não haveria futebol sem os atletas que dominam, passam e chutam aquele couro cheio de ar. Mas o futebol não teria chegado aonde chegou sem os jornalistas e comentaristas esportivos. E são eles que determinam os rumos deste esporte, que hoje depende muito mais da língua dos que o promovem do que dos pés de quem o joga.
As massas torcem motivadas, insufladas ou enganadas pelos comentaristas. Afinal são milhares de empregos para falar do futebol, milhares para jogar e outros milhares nas mãos de quem administra e trabalha nos clubes, nos estádios e na bilionária indústria que se criou ao redor desse esporte.
O que houve com o Brasil e com os paises que perderam é muito simples: seus atletas dessa vez não acertaram. A bola não entrou ou entrou menos vezes do que deveria entrar nas traves do adversário. Mas, no caso do Brasil, onde alguns jogadores de futebol, mais do que atletas se transformam em pequenos deuses que não podem errar, pelo dinheiro que geram, pela sua fama que alimenta a indústria chamada futebol, e por uma supervalorização das suas habilidades, a perda de gols pode levar á histeria. De repente milhões não conseguem administrar o passe ou o chute errado do seu pequeno deus.
Super-dimensionados, nem comentaristas, nem cartolas, nem jogadores, nem torcedores conseguem manter o equilíbrio e mudam de comportamento por causa de um couro inflado de ar que não entrou nas traves certas. Era para ser apenas um jogo e uma competição entre atletas. Deixou de ser. Agora é uma indústria da qual dependem milhões de empregos. Pode não ser o X da questão, mas é fator determinante. Deixou de ser atletismo. Faz muito tempo que também deixou de ser um jogo. Agora é uma indústria bilionária. É couro que vale ouro! Por isso o mau humor de tanta gente.
Para os outros brasileiros, quem perdeu foram aqueles atletas e o seu técnico. Ninguém mais. O Brasil certamente não perdeu. A França também não venceu. Quem venceu foram alguns atletas franceses. Seria bom se a indústria parasse de tentar nos convencer que nosso patriotismo depende de um pedaço de couro nos pés daqueles atletas. Não depende, nem dependerá, por mais que o emprego de milhões dependa do rolar daquele couro!




