CRENTES, POBRES E FAMOSOS

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Era uma vez um jovem negro que desde menino sonhava fazer alguma coisa pelo seu povo. Tornou-se jovem querendo fazer alguma coisa pelo seu povo. Ficou adulto e tornou-se um lutador pela paz. Pobre, prisioneiro, mas sempre querendo fazer alguma coisa por seu povo.
Aos poucos se tornou famoso e poderoso. Assim que chegou ao poder e libertou o seu povo, entregou o poder a outros colegas seus e continuou pobre. Seu nome: Nelson Mandela.
Era uma vez um menino de família rica. Cresceu em ambiente rico, mas cercado de pobreza. Olhava os pobres que batiam à sua porta e sonhava ser alguém para eles. Renunciou à riqueza e aos bens que poderia ter. Tornou-se um jovem sonhador. Entregou-se ao sacerdócio católico, ficou bispo e passou a vida lutando pelos pobres, os sem teto e os deserdados.
Vestia-se como pobre e jamais guardou para si o que ganhava. Não tinha quase nada, morreu sem quase nada. Quando se tornou famoso no mundo inteiro, pôs tudo a serviço do seu povo. Não tinha casa, nem carro, nem bens de espécie alguma. Foi muito caluniado e perseguido por conta do que dizia aos poderosos. A fama não mexeu com ele. Seu nome: Helder Câmara.
Era uma vez uma menina pobre que se tornou religiosa. Não tinha sonhos de fama e nem de riqueza. Jamais sonhava em tornar-se famosa. Mas ficou famosa por cuidar de pobres na rua, num país não cristão para onde fora. Recolhia todos os miseráveis, dando a eles a riqueza de um abraço, de um afeto, mais alimento e conforto. Ajudou a viver e a morrer com dignidade.
Ela mesma era pequeníssima e enferma. Mal chegava a 1,40m, andava curvada de tanto cuidar e tirar pobres de calçada. Seu nome: Tereza de Calcutá.
Era uma vez, através dos séculos, vários, inúmeros religiosos seguidores de Jesus que queriam salvar almas e para isso serviria a fama que lhes daria chance de atingir milhões de pessoas. Para isso, precisaram de muito dinheiro. Alguns deles tornaram-se famosos e ricos e tiveram do bom e do melhor, guarda-costas, palácios, castelos, verdadeiros monumentos de obra de arte.
Alguns eram cardeais, ligados ao rei, outros bispos, outros fundadores de igrejas cristãs. Nada lhes faltou. O dinheiro veio em grande quantidade. Sobres eles é melhor dizer não falar em detalhes. O tempo se encarregou de falar dos que já morreram em seus ricos palácios e se encarregará de falar dos que ainda vivem.
De alguns, sabemos que, enquanto estavam vivos, tiraram para si o maior proveito, quiseram ser famosos, ricos e poderosos e foram e são. O futuro dará testemunho deles. Mas sobre os pregadores da fé que ficaram ricos em todas as igrejas o julgamento é severo. Salomão escreveu poemas, pensamentos, registraram que ele viu Deus duas vezes, que foi o rei religioso mais sábio e mais rico do mundo, mas pelo seu comportamento parece que não foi nada disso. Fez um templo riquíssimo para Deus e um palácio ainda mais rico e maior para si mesmo. Não morreu nada bem. Terminou seus dias adorando os deuses de suas mulheres e concubinas que, como tudo que a rele se refere eram quase mil. Abusou da riqueza, da fama e do marketing. O rico Salomão foi um tipo de pregador que não deveria ser imitado. Mas é…

Pe. Zezinho scj

© Padre Zezinho scj

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