Num mundo de tantas banalizações, era inevitável que também se banalizasse o crime e a morte. Banalizar é tornar algo excessivamente comum. Quando todo mundo faz, de qualquer jeito e sem praticamente nenhum sentido nem reflexão, uma coisa que, antes, poucos faziam, a coisa banalizou-se. Diferente de popularização, que é levar algo positivo a todo o povo e a qualquer segmento do povo, a vulgarização de um costume, uma arte, um jeito de dançar, é quase sempre uma atitude negativa, conduzida por pessoas sem ética e sem preocupação social. A vulgarização acaba em banalização e vulgaridade. Dão ao povo o que o povo não quer, insistindo que o povo quis.
Danças, canções, trajes sumários, expressões corporais que até poderiam fazer sentido em determinados lugares perdem seu significado e se destituem de sentido, quando feitos em lugar errado, por qualquer pessoa e fora de contexto. Assim, certas danças, a nudez, o beijo, certas roupas, certas canções, inclusive as religiosas, certas piadas, certas cenas de televisão e certas imagens resvalam para o banal e o vulgar quando, sem nenhum critério, se faz aqui e de novo, e em qualquer lugar porque deu certo lá, feito por aquele astro…
Se não se divulgasse tanto e com tanto charme a violência em filmes, ou o sem sentido de tantas vidas, se não se mostrasse apenas por mostrar, tenho para mim que teríamos uma sociedade mais criteriosa. Como está, a promoção do banal, do grosseiro e do vulgar acaba levando ao sem sentido em tudo, inclusive na violência. De tanto vê-la colorida e com detalhes e closes, muitas mentes desequilibradas acabam achando que matar é bonito. E é o que fazem. Há quem trate a morte violenta de um ser humano como se fosse um espetáculo. É como se fosse mais uma lagartixa ou mais um rato que morreu. Acabamos achando natural. Quando uma comunidade não fica indignada e não reage de maneira forte, mas civilizada, estamos no que a Igreja Católica chama de civilização de morte. O Brasil está perto disso !




