CIÊNCIA, IGREJA E EMBRIÕES

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Vivemos num país pluralista que escolheu a democracia e onde todos podem falar e expor suas crenças e convicções. Neste momento no país Brasil está em jogo uma discussão que vai além da ciência, além da fé e além do embrião. Congressistas e juizes foram chamados a definir se os cientistas podem manipular um ser humano concebido, mas ainda não nascido, em vista de um bem que seria a possível descoberta de cura para os já concebidos e nascidos com graves anomalias ou disfunções.

Pedem ao Congresso e aos juizes da Suprema Corte que decidam se no Brasil será permitido sacrificar um minúsculo embrião de ser humano, que é um ser vivo, para o bem de milhares de seres humanos já nascidos. Está em jogo no Brasil o presente e o futuro da vida humana. Pedem os que lidam com o corpo humano o direito de fazer uso de embriões descartados que nunca nascerão, e também o de embriões em processo de formação, mas não desejados. Os pais talvez não os queiram como filhos, mas os cientistas os querem como células úteis para outros fins, da mesma forma que se dissecam cadáveres para o bem dos vivos. Os que lutam pela proibição do uso de cobaias e pequenos e inocentes animais em laboratório deveriam, pela mesma razão, ser contra o uso de inocentes embriões humanos. Um ser vivo e com potencial para nascer está sendo sacrificado em favor de quem já nasceu…

Aí começam as divergências e os conflitos. Aí entram a democracia, a ciência, a fé, e as definições de vida. Uma lei é boa são porque a maioria votou a favor dela? Se a maioria optar pela pena de morte a partir dos doze anos a pena de morte se torna justa? E a partir a primeira semana?…

O que é vida? O que é uma vida humana? Quando começa? Em que momento, dia, hora, minuto e segundo? Começa imediatamente no encontro de óvulo e espermatozóide, ou alguns dias depois? Se começa alguns dias depois, então ainda não é humano. Se começa no ato, então já tem o direito de viver e de se desenvolver e matá-lo será assassinato. Alguém tem que lutar pelo seu direito, caso ele seja ameaçado, da mesma forma que precisamos lutar pelo homem indefeso de quem se quer tirar a terra ou a vida.

Quem decide isso? Os cientistas? O médico? A parteira? Os políticos? Os juizes? Os pais? Os religiosos? A quem pertence aquele embrião? Aos pais? Ao país? A Deus? Quem crê no Criador do Universo e nos direitos dele vai com enorme cuidado nessa questão. Foi dele que veio mais esta vida através dos pais. Quem não crê nele, nem admite que é Ele quem cria um novo ser humano optará pelo pragmático: alguém precisa mais da vida do que este ser de menos de um centímetro ou menor do que uma unha. Lutará por uma lei que permita o uso deste ser menor em benefício de um ser maior.

O assunto é complexo. Dar opinião sem saber do que se trata e onde se deseja chegar é delicado. É como achar normal que um grupo de cidadãos enriqueça urânio. Mas o que desejam eles? Fabricar bombas ou produzir mais energia e mais vida? Quem vai chefiar o processo? E dá para confiar?

Pe. Zezinho scj

© Padre Zezinho scj

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