CATÓLICOS NA CIDADE GRANDE

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As milhões de vidas que aqui partilham o mesmo espaço, dividem os mesmos sonhos e sofrem as mesmas pressões, buscam auxílio umas nas outras e a grande maioria o busca em Deus.

Motivados por seus líderes e pregadores, milhões de corações que aqui labutam e aqui habitam, vivem as suas convicções debaixo de mansardas e porões, em favelas e em coberturas de altíssimos prédios. Alguns são riquíssimos, outros ricos, outros remediados, outros paupérrimos e cada um se refere a Deus do seu jeito, quase sempre de maneira utilitária: “meu Deus”.

Seguem uma religião que lhes serve. Por isso também não hesitam em mudar de religião, se a mudança lhes parecer solução melhor. Não é questão de convicção; é questão de utilidade. Um grande número vai para quem grita mais, dá mais e promete mais.

No meio dessa algaravia de vozes e desse pulular de púlpitos e altares estamos nós, católicos, que já fomos maioria e de certa maneira ainda o somos. Mas somos todos os dias desafiados por outras vozes, outros púlpitos e outros altares.

Precisamos ter a humildade de admitir que não temos todas as respostas, como eles também não têm, embora às vezes gritem em alta voz que a possuem. As grandes tentações de alguns religiosos são achar que a sua igreja responde a todos os problemas e de se colocarem como os únicos capazes de oferecer solução para o coração humano.

A felicidade nesta cidade está oculta e é preciso garimpá-la. Não vem de graça, não vem fácil e não está em todos os púlpitos e altares. Requisito número um de convivência numa cidade gigantesca como a nossa é gostar de gente, compreender que os problemas que afligem os outros também nos afligem.

Sem ter cabeça e coração de bom samaritano, crente algum poderá se proclamar seguidor de Jesus Cristo. Vale para nós católicos e para os outros que seguem Jesus. Então, o jeito é dialogar.

Os católicos na cidade grande são chamados a dialogar até à exaustão, inclusive com quem nos combate, nos condena e tenta calar a nossa voz. Esses podem se dar esse luxo, nós não.

Cat holou” significa “para todos”. Sem abertura não há catolicismo. Sem abertura para a cidade grande não há testemunho. Precisa-se de católicos abertos numa cidade aberta, católicos que vão para o alto e para o lado, numa cidade que vai para cima e para o lado, católicos que aprendem e ensinam a viver numa cidade que vive de aprender e ensinar a viver.

É impossível morar numa cidade gigantesca como São Paulo e não sentir-se pequeno, mas é exatamente esse o começo de toda boa Igreja. A pequenez é uma das maiores virtudes de um grande ser humano. Miremo-nos no exemplo da mãe de Jesus. Sabia que a enalteceriam, mas proclamou-se a serva do Senhor. Nunca esqueceu que era pequena. Serve de modelo a nós que nos sentimos pequenos diante da cidade grande. Não há mal nenhum em ser pequeno. O problema é um pequeno proclamar-se maior do que realmente é.

Pe. Zezinho scj

© Padre Zezinho scj

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