Falo de um assunto delicado que volta e meia nos chega à redação. Nosso padre se casou. Mas não faz sentido se não falar também dos casais que desistiram. Em algum lugar da jornada ficou difícil demais para eles levar a vida que tinham decidido levar, mesmo com juramento. Acontece com sacerdotes, pastores, rabinos, freiras, casais. E é muito cruel julgá-los sem conhecer o seu drama pessoal.
A imagem é a dos cavaleiros que começam uma longa viagem. Há os que caem já nos primeiros dias. Há os que chegam até o fim, sem nunca terem caído do cavalo, mas sem nenhum prazer de cavalgar. Há os que não caem, mas chegam feridos e machucados. Finalmente há os que chegam fortes e prontos para mais uma viagem. Ninguém sabia como seria a viagem. Só sabiam que não seria fácil, mas teria suas imensas alegrias e seus muitos riscos. Acabou não dando certo para alguns.
O que acontece com estes irmãos e irmãs que deixam o ministério por não se adaptarem e com casais que trocam de parceiro por não mais se amarem, é mistério. Analisá-los não é assim tão fácil. Não estamos dentro deles para saber o que os levou a isso. É como o caso dos amigos, que sobem a montanha. De repente, alguns deles dizem que não dá mais. Não querem continuar. Não sentimos o cansaço que eles sentem, para decidir por eles. Podemos até carregá-los no ombro, mas não é isso o que resolve. Eles precisam reencontrar as forças. Se não dá, acabam buscando outra montanha para subir, ou algum caminho menos duro do que aquele. Se difícil, ao menos seja um caminho que queiram tentar.
Casamento e celibato são chamados difíceis. Os dois demandam renúncias enormes que precisam valer a pena. Quando alguém chega à conclusão que não quer mais renunciar tanto, acontece a desistência ou a ruptura. Começar, muitas vezes é mais fácil do que perseverar. Há uma graça que precisamos pedir com muita humildade: -“Não deixes que eu me canse”! O ser humano se cansa. Quem não se cansou não tem o direito de julgar os cansados e feridos. Deus viu e sabe se foi culpa deles ou não. Muita gente mais forte não sabe porque é mais forte. E é bom lembrar que ser mais forte não é o mesmo que ser mais santo. Deixemos isso para Deus decidir! Enquanto isso, oremos por quem mudou de caminho ou de rota: sem julgamentos! A Bíblia nos proíbe isso (Mt 7,1)!




