BANDIDOS PODEROSOS

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São mais do que incidentes. São confrontos premeditados. O que se passa entre os bandidos e a polícia, os marginais e a lei, traz à baila um fato tão antigo quanto definidor da pessoa: o desejo e a opção de transgredir.

As nações se dividem entre pessoas que se associam para formar um país dentro da lei e outros que se unem para viver as próprias leis à margem das leis oficiais. Os interesses são múltiplos: dinheiro, poder, interesses pessoais, clã. O fato é que enquanto a grande maioria aceita a lei para viver, um número pequeno, mas poderoso, vai contra, porque levará alguma vantagem com a sua desobediência.

A verdade é que muitos não sabem viver sem violência porque é dela que tiram o seu dinheiro; sem prostituição, sem corrupção e sem armas porque seu dinheiro vem dessa transgressão. Se não eram, tornaram-se contraventores, marginais e bandidos por escolha. Não aceitam a lei de todos e para todos. Por isso, criam a sua. Enquanto as nações se associam e criam suas constituições e códigos de direito civil, eles se associam em súcias e criam suas leis marginais. O objetivo é se aproveitar das brechas existentes nas leis do seu povo.

Não estão ali para cooperar com ninguém. Não se sentem cidadãos, não querem ser cidadãos. Querem o dinheiro da corrupção, o desvio polpudo de verbas, o comércio ilícito de sexo e o lucro exorbitante da droga. Se for preciso matam para conseguir o que querem, porque sua lei suprema é o dinheiro e eles, pequenos deuses que não podem ser contrariados,. Não hesitam em mandar matar. Sentem-se donos da via alheia. É evidente que essas pessoas, mesmo falando de Deus, não acreditam nele.

Se fossem honestos certamente ganhariam menos dinheiro. Então não querem ser honestos porque a honestidade os faria muito mais pobres. Querem aquele dinheiro, daquele jeito, naquelas circunstâncias porque não acreditam em outro tipo de trabalho. Já tiveram mil oportunidades para trabalhar em outro setor e não quiseram porque no caso deles o crime traz vantagens. A contravenção lhes é muito mais lucrativa do que a obediência. Por isso admitem que são marginais,se proclamam bandidos, e assumem que se juntam em bandos para delinqüir.

A humanidade sempre os teve e sempre os terá. E os cidadãos pacíficos, organizados e obedientes à lei terão que aprender a se defender deles. Se preciso, trancafiá-los em lugares onde não possam continuar fazendo o que fazem. Haverá sempre essa diferença. Os honrados e obedientes à lei não matam, apenas prendem e tiram de circulação. Os outros roubam e, se preciso, matam. Uns prendem e os outros jamais aprendem. Num mundo que às vezes os retrata como heróis, fica difícil convencer um adolescente confuso que este caminho é perigosamente mortal. Morre-se mais nesse meio. Em alguns lugares a grande maioria não chega aos trinta e cinco. Fome, banditismo e droga encurtam a vida.

Pe. Zezinho scj

© Padre Zezinho scj

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