Agora que vejo a marginal do Tietê ampliada e melhorada e o rio parcialmente sanado e até embelezado, começo a entender o valor de todas as campanhas e de todos os esforços para recuperar o que parecia perdido.
O Tietê é um caso típico de ressurreição e o será ainda mais. Mostra o poder e a força de uma cidade, a capacidade dos políticos, mas mostra, sobretudo, a consciência de um povo. Ainda está longe de ser o rio navegável e piscoso que pode vir a ser, mas certamente o será, se São Paulo quiser.
Entendo que o esforço das escolas, universidades, ONGs e, sobretudo, das Igrejas, que atingem milhões de paulistanos, pode acelerar esse processo de limpeza e purificação das nossas águas, porque aos poucos começamos a entender que as águas são um dom sagrado e que os rios são como sacramentos que fluem nas veias da cidade.
Se pararmos de sujá-lo, seremos também uma cidade menos suja; se lutarmos para recuperá-lo, seremos também uma cidade que luta para se recuperar, porque sem água uma cidade não vive; sem rio é cidade lúgubre.
Passo pelo rio Tietê e começo a ver sinais de vida que volta. Eu sei que vai demorar, mas sei que está sendo feito. Padres, pastores e pregadores de todas as religiões têm uma enorme responsabilidade: convencer os seus fiéis a não sujar as ruas e a não conspurcar as águas. Afinal, fomos batizados não só para fazer o sinal da cruz ou para nos proclamarmos eleitos, mas para sermos cúmplices da vida. E rio é fonte de vida!
A maneira como tratamos as nossas fontes, os nossos rios, reflete como vivemos o nosso batismo. Quem despreza e suja a vida, não entendeu o que é ser cristão. Por isso, e por muito mais razões, sugiro que as Igrejas cantem canções ecológicas, os pregadores falem de ecologia que rima, e muito bem, com Teologia. E que a cidade se convença, de uma vez por todas, que quem matou, precisa ajudar a ressuscitar.
São Paulo matou um rio, pois que agora o ressuscite! Outras gerações o poluíram. Que as gerações de agora o reconstruam. São Paulo não pode e não merece ficar sem água. Que saiba captar, armazenar e purificar! Que São Paulo se rebatize!




