ALI BABÁ E MILHÕES DE LADRÕES

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Do jeito que os fatos correm nos últimos 20 anos de Brasil, em muito pouco tempo haverá mais um requisito para alguém se considerar brasileiro de verdade: ter sido ameaçado, roubado, assaltado e espoliado. É impressionante a facilidade com que se toma ou se arranca o dinheiro do brasileiro. Ou damos sem reclamar ou nos tiram sem que possamos reagir.

Dias atrás uma senhora telefonou para a paróquia onde eu celebrara missa pela manhã e quis falar comigo. Disse que, ao voltar para casa, um ladrãozinho com um revolver na mão a rendera no portão de entrada, levara a bolsa e o dinheiro que viera tomar e acabara de ir embora. Lembrou-se da minha pregação sobre cidadania e coragem e, antes de ligar para a polícia ou dar queixa, pedia a minha bênção para ficar calma e resolver a situação de maneira a aliviar o trauma da filha de oito anos e do marido, homem irado e nervoso. Temia que ele ao voltar do trabalho, fosse atrás do menino e o matasse.

Dei-lhe, com calma e paz na voz, as boas vindas para o clube dos brasileiros vítimas da violência, do roubo, da calúnia e da insegurança. Somos milhões. Lembrei-lhe que, no caso do Brasil e alguns países a história de Ali Babá precisaria ser recontada como Ali Babá e seus milhares de ladrões.

Virou cotidiano. Os brasileiros na sua maioria ou já foram roubados, ou assaltados, ou espoliados. Tiveram que pagar um imposto que lhes custou o fim da firma, ou o fim do mês sem comida em casa. Afinal, 37 % ao mês é muito dinheiro para poder ter alguma coisa neste país. Falei-lhe do preço exorbitante do aluguel, de algumas mercadorias, dos juros, do pedágio, e da pequenez do salário. De quebra, há os que nos visitam para tirar da nossa gaveta o que as leis já nos tiraram direto da fonte ou do banco.

Ela começou a rir e disse: – E querem que eu escolha um candidato dentre centenas que falam uma frase de dez palavras em quinze segundos… Sou obrigada a votar sem ter as informações necessárias: os Partidos não dão. É voto cego!

Foi esse o teor da conversa. Agradeceu e disse que era professora de inglês. Oramos ao telefone para que Deus nos iluminasse ao votar. Faltam mais profetas dentro e fora do Congresso.

Pe. Zezinho scj

© Padre Zezinho scj

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