Existe o esporte, a macro-multinacional, as macro-indústrias dele oriundas e a ele coladas, as micro-indústrias, os macro-interesses, os micro-interesses, os milhares de produtos, os milhões de vendedores, os milhões de empregos nos vestiários e no campo, nas fábricas, nas emissoras de rádioe televisão, nos jornais… E ao esqueçamos as torcidas organizadas, e os estádios, as associações, e os milhões de jogadores.
Gigantesco e pantagruélico o esporte chamado futebol atinge desde o pequeníssimo torcedor que já ensaia um chute na bola do seu tamanho ao ancião que discute apaixonado o último pênalti contra o seu clube. Bom sob muitos aspectos, com potencial para aproximar e educar, ele é também um esporte que gera paixões. Por isso o quebra-quebra, as brigas de rua, os assassinatos, os colossais desvios de verba, a mentira, o fingimento, o vale-tudo para por a mão na teça, os preços astronômicos de um bom jogador e todos os graves desvios de um esporte que tinha apenas como objetivo fazer correr, congraçar e alegrar uma comunidade.
Virou indústria e foi longe demais. Chega a mandar em governos e exigir gastos de bilhões de dólares ou euros, dinheiro que faz falta para hospitais e habitação popular. Mas o espetáculo não pode parar… Há pelo menos dez países com estrutura suficiente para abrigar uma Copa do Mundo, mas países pobres ou emergentes mergulham na aventura de sediá-la e assim ganhar mais visibilidade. O gasto é ciclópico e não está dito que traz lucro para o país que o sediou.
Mas são tantos os interesses que ficais impossíveis se imaginar um controle desse esporte. A pergunta pode ser incômoda e até despropositada, mas deve ser feita: O futebol ainda é um esporte?




