No último 10 de abril, os canais de televisão noticiaram que na região de Brasília, três adolescentes tramaram a morte de um outro via Internet, porque o outro namorava uma ex namorada de um dos assassinos em potencial. A trama foi descoberta. Eram filhos de gente abastada.
Na mesma região, os leitores se lembram, anos atrás outros adolescentes queimaram vivo um índio idoso que dormia num banco de parada de ônibus. O fato de repetiu por algumas cidades do Brasil.
Desde que o mundo existe, irmãos matam irmãos, primos se matam, jovens saem em gangues e matam outros jovens, fazendo disso quase um ritual. Caím matou seu irmão Abel, um dos irmãos Rômulo e Remo foi fratricida, vários filhos de Jacó tramaram a morte de seu irmão José.
Shakespeare escreveu Romeu e Julieta para falar de um drama que não era incomum nos seus dias. Os jovens matavam e se matavam. Os Montecchio e os Capuleto eram um exemplo do que ocorria na velha Europa, onde gangues rivais saiam em hordas pelas ruas tentando provar quem era mais do que o outro.
ócrates e Platão e Aristóteles lamentavam, cada um a seu tempo a vida sem sentido que muitos jovens levavam. Propunham uma educação que os tornasse livres e capazes de decisão e sentimentos altruístas.
Tutelados demais tornavam-se atrevidos. O raciocínio era: -Eu posso porque meu pai é poderoso! Em todos os tempos a violência, a dissipação e as aventuras tresloucadas estiveram ligadas aos jovens e adolescentes. Se milhões de vidas jovens foram desperdiçadas em guerras criadas por adultos, também é verdade que outras milhões foram desperdiçadas em desafios e brincadeiras criadas pelos próprios jovens. Vemos isso todos os dias nas grandes cidades do mundo.
Milhões de jovens se desperdiçam e são desperdiçados nas drogas , no roubo e na violência. A pressa de viver, somada à pressa de ter mais para ser mais perante alguém levou e leva multidões de jovens a agir sem futuro. Pouco lhes importa chegar lá. Importa marcar pontos agora! A náusea narrada por Sartre chegou a eles muito mais cedo do que esperavam. Sentem náusea da própria vida e da vida dos outros. Perderam a admiração pela pessoa do outro. Escolhem uns poucos outros para amigos pelos quais até dariam a vida, mas sabem de milhões de outros de quem não hesitariam em roubar os bens e a vida, simplesmente porque são outros.
É a falta de entender o outro, é o excesso de eu, a ausência de autoridade dos pais e do Estado, a falta de religião e a perda de rumo e de ideais que sacrificou os jovens de ontem e continua a sacrificar os de hoje. Estado, Igreja e Família têm uma tarefa gigantesca e muito pouco tempo para executá-la: a de recuperar toda uma geração que cresceu achando que tem o direito de fazer o que quer da sua vida e de outras vidas. A televisão e Internet que poderiam ajudar nem sempre ajudaram. Cabeças explodindo, prédios e navios em chamas diante de rostos crispados de ódio não ajudam em nada na tarefa de forma ruma geração capaz de tolerar outras idéias e outro tipo de gente.
Falta-lhes um semáforo e, no semáforo falta uma luz vermelha; e perto da luz vermelha falta um guarda que pare o infrator renitente que acaba de ultrapassá-la pela terceira vez. Sim demais pode ser morte! E é ! Um não na hora certa pode ser vida ou sobrevida. E é! Pergunte aos jovens que pararam na mesma esquina que seu amigo atravessou porque achou que se sairia bem e seria aplaudido pela enésima vez! Foi a última e não houve aplausos. Nem na descida do caixão. Ele havia se jogado fora! Sem limites não se chega!




