Vamos ao cerne. Estamos na era das trocas, da infidelidade e das mudanças. Muitas delas são frutos de convicção serena. Grande número, fruto de infidelidade. Promete-se, jura-se, a palavra é dada e assinada, mas, ante algo mais vantajoso, rescinde-se o contrato, rasga-se o papel, muda-se de emprego, de clube, de amor e de igreja, às vezes sob os aplausos da mídia, como nos amores novos de artistas e jogadores de futebol. Esquecem a festa para a primeira e a segunda e tratam a terceira ou quarta união como se fosse a definitiva. A doutrina deles é a de que é tudo relativo e vale o sentimento da pessoa que mudou!
Milhões mudaram de casa e de fé porque ir para o outro relacionamento lhes pareceu mais vantajoso e mais de acordo com o que sentiam. Não se sentiram obrigados a cumprir seus juramentos. Tornara-se uma fonte de sofrimento.
A raiz de tais trocas e mudanças é o personalismo que, em muitos casos, leva a um exacerbado individualismo. Vale o indivíduo e o que ele sente e não o que os outros podem sentir ou pensar a seu respeito. Não há compromisso capaz de segurar alguém naquela relação, juramentada meses ou anos atrás. O sentir do mundo de hoje é que compromissos e juramentos se quebram, se com isso a pessoa se sente melhor.
O não cumprimento dos votos até o fim, das promessas, das filiações partidárias, das alianças, dos contratos, da vida familiar ou da vida religiosa é visto como decisão soberana do indivíduo que se sentia oprimido por um peso que não mais agüentava carregar. As teorias caminham quase todas em defesa do indivíduo, poucas em defesa de quem poderia ser afetado pela sua decisão.
Paises, povos, grupos, igrejas, partidos, sócios e indivíduos deixam de cumprir suas promessas ou pedem rescisão de contrato quando sentem que a palavra dada tornou-se danosa a seus novos projetos. Não é fato novo na História, mas hoje é mais visível e atinge milhões. O argumento é um só: -Não é bom para mim, então eu caio fora, ou dou um jeito de questionar o contrato.Vale o que for mais vantajoso para o meu eu! Sou eu quem conta!
Não adianta olhar para o lado. Estamos todos sujeitos a esse comportamento, num mundo que incentiva e até aplaude a mudança de amor, de parceiro, de clube, de trabalho ou de fé. As virtudes da perseverança e do discernimento podem ajudar e ajudam. Vale questionar. O mundo teria sobrevivido sem a fidelidade ao essencial? Mas o que é fidelidade ao essencial? E o que é essencial? Foi exatamente por não saberem isso que mudaram. Quando num coração tudo é relativo, este coração se torna o seu próprio absoluto.




