UM BRASIL SEM DESPERDÍCIOS

Voltar

Em boa hora, como sempre, a Campanha da Fraternidade, desta vez e outra vez ecumênica, entra em tema social. Tema forte. Não há como amenizá-lo e pregar apenas espiritualidade. A campanha olha para um dos aspectos mais dolorosos da vida de um país: o uso da sua riqueza.
Bem escrito, o manual da Campanha nos brinda com reflexões profundas nascidas das várias igrejas que participam. “Economia para Vida”, “Economia e Vida”. Não é distinção pequena. A capacidade de administrar os bens da nação e da comunidade produz vida mais adiante e é um ato de vida agora. Não é possível desligar o uso dos bens da vida e da sobrevivência de um povo.
Um desvio colossal de 700 milhões de reais, praticado por um pequeno grupo de ladrões de gravata e de vestido chique pode deixar milhares de crianças sem escolas, milhares de pessoas sem um teto, ou milhares de enfermos sem remédio. Desperdício, corrupção e desvio de bens é morte ou perda de qualidade de vida para milhares ou milhões de cidadãos.
A Campanha, em boa hora, alerta para o fato de que muitos consomem o que não precisam e não poucas vezes armazenam e jogam fora água, alimentos e roupas que irão para ninguém. Se o comunismo foi péssimo, o consumismo também é. Um em ditaduras de esquerda concentrava o poder em poucas mãos, o outro concentra bens em poucos bolsos e prateleiras. Um queria corrigir o outro e ambos exorbitaram. Nada melhor do que boas famílias, boas igrejas, boas democracias, bons partidos, bons sindicatos de patrões e de operários para não esbanjar o que a todos pertence.
Se parece utopia, será melhor do que aquilo que mês após mês freqüenta nossas manchetes: alguém desperdiçou água, verduras, cereais, dinheiro, recursos e bens que eram de todos. Maus administradores e gente safada no poder puxaram para si o que era de todos.
Um país tem que aprender a se defender contra tais pessoas, não importa o grau de poder que acumulem. Para isso o país tem que ter imprensa livre, juízes com tempo hábil para julgar, promotores com liberdade para agir, igrejas que não apenas ensinem a orar e sim também conduzam pregações que eduquem o fiel para os temas sociais.
Se é religioso ir ao templo e louvar o Senhor toda quarta e domingo, também é um ato religioso poupar água em nome do futuro e em favor da comunidade que sofre o drama da sede. Não é mesma coisa, mas nascem da mesma verdade os atos de levar a Palavra de Deus e água e esgoto a um bairro onde faltam os três benefícios. Pode não parecer, mas são gestos de fraternidade!

Pe. Zezinho scj

© Padre Zezinho scj

Wallmedia