POLÍTICA, RELIGIÃO E SECTARISMO

Para usar a expressão da cantidata do PT à presidência da Republica, o Brasil estava afunhanhado no governo do PSDB. Mas estava muito mais afunhanhado no tempo do, hoje fiel parceiro do atual governo. A candidata esqueceu que o afunhanhamento vinha de mais longe, do tempo de seu agora parceiro, quando a inflação agia descontrolada e enlouquecida. E ela sabia. Por que omitiu o fato pondo a culpa apenas em quem disputa o poder com ela?
O que ajudou o país a chegar aonde chegou foi o controle da inflação, e quem ajudou foi o PSDB, cheio de defeitos como de resto o é o PT de agora. A vinda do PT que preservou as conquistas do governo anterior e melhorou muitas delas, além de trazer outras novidades que deram certo, nos puseram na condição em que hoje estamos. Acrescente- se a isto uma favorável situação internacional. Elogiem-se os dois partidos e atualmente exaltem-se as novas conquistas operadas por forças que se aglutinaram. O Brasil é hoje o resultado da continuidade. Governar, ao que tudo indica deveria fazer isso. O que foi bom preserva-se ou se melhora e o que não foi, modifica-se.
Mas o sectarismo, em política ou em religião não permite tamanha honestidade. Sectarismo é essa atitude cruel de quem não reconhece o valor dos adversários, por medo de perder ou a liderança ou as conquistas. Então, apontam-se com tintas fortes e agressivas os erros do outro lado e amenizam-se os do próprio. Sectário é quem diminui os outros e sectariza: corta fora o que não é bom para ele e inclui, o tempo todo, para que não seja esquecido, o que foi mau do outro lado. Ao diminuir a estatura do outro diminui a própria embora lhe traga algum voto a mais. Onde não há isenção, nem verdade, nem dignidade e onde vale tudo para derrotar o outro o jogo se torna maquiavélico: o poder pelo poder!
Se as igrejas reconhecessem os dons e as luzes de Deus umas na outras e, ao discordar, não esquecessem o que há de bom no outro grupo de fé; se os partidos fossem capazes de elogiar o antecessor ou o sucessor; se o desespero por chegar ao poder ou ficar nele não levasse a atitudes sectárias talvez tivéssemos um país mais civilizado e eleições mais dignas de uma democracia.
Mas aí, talvez seria pedir ética demais de quem persegue a vitória a qualquer preço. Elogiar o adversário transformado em inimigo? Nunca! Contudo é o que se espera de toda a religião, partido ou corrente ideológica que mereça o adjetivo “sério” atrás do seu nome. O eleitor fique atento. Escolha candidatos éticos. Preste atenção no que dizem hoje e puxe pela memória!…

© Padre Zezinho scj

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