PODEROSOS, MAS IMPOTENTES

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Para os padrões da época, Holofernes era um gigante e Davi um menino. Mas o estilingue de Davi o derrubou. Saul era poderoso e Davi não tinha exército. Mas Davi entrou na tenda de Saul e só não o matou porque não quis. Pequenas serpentes derrubam poderosos animais e pequenos grupos podem ferir gravemente um povo poderoso. Independente de afirmar quem está certo e quem é mais cruel, fatos são fatos. O atual Governo americano precisa agir como um Governo irado, porque uma parcela poderosa dos Estados Unidos está irada e não vai admitir outro 11 de setembro. Gigantes não admitem serem desafiados. O governo que não fosse atrás de quem desafiou a nação americana seria deposto em pouco tempo.
Mas há maneiras de governar e de ir ao encalço do inimigo. Entre o povo americano há milhões que garantem que há outro jeito diferente do que tem sido o jeito do governo Bush. Este parece um touro ferido, atacando qualquer um que segure alguma bandeira que o incomode. Invadiu o Afeganistão, depois o Iraque e antes que resolvesse a questão nesses países já declarou seus dois próximos desafetos: Coréia do Norte e Irã. De cifrada em chifrada o touro acaba acertando algum toureiro, mas vai errar 99% das chifradas e provavelmente cairá de cansado, à medida que continuar recebendo estocadas em pontos letais.
Os terroristas procuram exatamente isso. A estratégia é cansar os americanos e levá-los a gastar o que não podem, já que o atual governo não conseguiu as alianças que desejava, ou achou que podia lutar sem elas. Confiou demais no seu poderio bélico contra homens e mulheres dispostos a morrer matando. Bush acha que está salvando a humanidade com sua guerra, que considera justa. Os terroristas acham que salvam o futuro de seu povo ou de sua fé, ao morrer matando milhares de inocentes. Inocentes são também muitas pessoas bombardeadas por engano de computadores ou de pilotos.
O que está acontecendo com nossos irmãos norte-americanos de formação cristã é que não têm usado de métodos muito cristãos na sua ira. Os terroristas muçulmanos que também são nossos irmãos, equivocados no seu ódio sem limites, pecam pelo desejo de sangue. Usar o nome de Deus nesses casos é imaginar que Deus aprova aquelas bombas ou aqueles atos de terrorismo. Ele prefere o diálogo. Mas os guerreiros fazem a guerra e mandam seu povo pagar as contas. Matam e garantem que Deus faria o mesmo. É que o ódio é tão duro que não se ajoelha nem se curva e raramente raciocina. Guerra de retaliação não admite o perdão. Não o admitindo, não admite Deus. Era de se esperar depois de vinte séculos de cristianismo e catorze de islamismo, uma sociedade menos primitiva e religiosos menos primitivos. Deveríamos ter evoluído para o perdão, mas evoluímos para a guerra digitalizada. Mata-se de longe. O inimigo conhece o rosto de quem mandou matar seus filhos e parentes, mas não vê o rosto de quem executou a sentença. Acontece que nem a vingança nem o terror se importam com rostos humanos. Bebês, enfermos, jovens, adultos ou crianças não contam. Contam as armas e o dividendo político. Guerra rima com luta pela terra. Mas não rima com misericórdia. Esta, sim, rima , nasce e se alimenta da discórdia! E discórdia quer dizer ausência de coração. Precisa dizer mais?

Pe. Zezinho scj

© Padre Zezinho scj

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