PATRIOTA OU IDIOTA?

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Um amigo meu, desses que pegam pesado, mas que têm o mérito de serem cultos e inteligentes, perguntou-me se sou patriota realista ou idiota. Idiotas seriam o que só vêem acertos no país e no governo e, ainda, os que não vêem nada de bom no país em que nasceram. Classifiquei-me como patriota realista, às vezes meio idiota! Há coisas que ainda me confundem.
Entre risos e provocações chegamos a um acordo. O país não vai tão bem quando se alardeia, mas não vai tão mal quanto se propala. Digamos que é relógio que funciona com alguns minutos de atraso por hora. Sem ajustes freqüentes a gente perde o compromisso!
Ainda não somos a democracia que poderemos ser, mas fomos longe: colocamos um ex-metalúrgico-sindicalista na presidência e um empresário na vice-presidência. Tivemos presidentes católicos, evangélicos e ateus. Temos senadores e deputados experientes, alguns deles acusados com provas assustadoras de graves deslizes, temos alguns ex-políticos presos, um ex-governador preso e solto, um governador preso no exercício do poder, alguns juizes e advogados presos por prevaricação, uma justiça lenta mas ainda capaz de reagir, corrupção por todos os setores, mas também gente séria por toda parte.
Indústria forte, comércio ativo, o campo bem organizado, escolas que, mesmo não indo bem, prometem, universidades dignas de respeito, CNBB, CONIC, OAB, ABI, ABR, imprensa ativa, liberdade de expressão com, aqui e ali, alguma censura, igrejas que discordam, mas não se agridem e que muitas vezes trabalham juntas, prefeitos jovens com novas idéias e grande aprovação, uma nova geração de políticos a caminho, economistas que parecem saber onde pisam, e vários bons candidatos postulando a presidência.
Se sou realista? Acho que sim. Sou capaz de elogiar um presidente em quem não votei e de quem discordo em muitas coisas, mas cuja liderança é democrática. Ele certamente fez mais do que eu esperava dele. Dou a mão á palmatória. O sindicalista estava preparado, sim! Também o empresário que ocupa o segundo posto do país. E, o que é bonito, ninguém achou estranho que um patrão aceitasse ser o vice de um operário.
Se o país vai mal? Não. Há bolsões difíceis de controlar e situações que podem nos levar a perigosos confrontos, mas somos um país que dialoga. Bem ou mal, a polícia ainda prende, os promotores descobrem as tramóias, o Congresso ainda funciona e, se soubermos escolher bem, funcionará ainda melhor. Se quero um outro país? Não. Quero este, melhorado. Está melhorando? Está! Com a palavra, os eleitores!

Pe. Zezinho scj

© Padre Zezinho scj

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