Acontecerá de novo, de novo e de novo. As águas não consultam os engenheiros nem os urbanistas. Quando chove muito, elas invadem, cavam e derrubam. Aí, então acontecem tragédias como em Angra dos Reis, Niterói, São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Blumenau, Itajaí, Rio Grande do Sul, Pernambuco e Alagoas. Alguém foi morar na área de perigo e alguém que sabia do perigo se omitiu… Desinformação ou teimosia de quem foi, omissão de quem deveria removê-los ou isolar aquelas áreas.
Mas, e daí? Para onde levar as famílias cujos lares o deslizamento e as enchentes levaram? Construir o quê e onde? Com que verbas? Há dinheiro para a Copa do Mundo? Para as Olimpíadas? Para aumentos generalizados a começar do Congresso? E não há para estas urgências urgentíssimas? Há quantas décadas as águas invadem que as invadiu? E por que aqueles bairros e cidades continuam lá esperando, há cem anos, a próxima desgraça?
Um país não planejado? Mal planejado? Mal executado? Culpa de quais governos? De quais partidos? Governos que têm coragem de aumentar impostos não têm a mesma coragem de remover aquelas famílias para lugares mais seguros, porque custaria votos? Ceder deixar morrer é mais politicamente correto do que prevenir e salvar?
Morros que deslizam, gente que perde as casas, indenizações que não acontecem, políticas urbanas que não sanam, tudo isso aponta para um jeito de viver e de governar que deixou de ser política, porque não viabiliza a polis. Técnicos preparados parece que os temos. Mas se o trabalho não é feito, a quem culpar? Não é o caso de perguntar aos políticos? Se os de ontem não fizeram e os de agora também não fazem, quem fará? Ergueremos muros de contenção, acharemos outros espaços, ou aumentaremos os cemitérios nas cidades periodicamente invadidas pelas águas?
Perguntas elementares que o povo faz por entre o choro e a revolta. A humilde senhora, que reconhecia sua parcela de culpa por ter construído a casa em lugar onde sabia ser perigoso perdeu marido e duas filhas. Sua frase resume um pouco do Brasil: -Não estou orgulhosa de minha teimosia. Fiz que nem o sujeito que, mesmo com passarela perto, atravessa a rua achando que vai dar tempo. Agora é pedir perdão por ter ficado quando tinha que ter ido!
A imprensa e as igrejas poderiam ajudar. Há pessoas que preferem morrer na casa do que viver sem casa. Por isso ficam! Vem a água e elas ou morrem ou ficam sem nada! O Governo? Se fez a sua parte merece desculpas. Se não fez, que seja deposto pelo voto!




