Como cidadão com direito a voto e igual direito de opinar, expresso minhas concordâncias e minhas discordâncias. Com tantos especialistas, doutores e mestres de plantão, era de se esperar que, desde os anos 90, quando a região, hoje chamada de Cracolândia se deteriorou, estes senhores e senhoras detentores do conhecimento e do poder fizessem alguma coisa. Não fizeram. O argumento era quase sempre o mesmo: entraves burocráticos.
Há os defensores do “extirpe-se”, os defensores do “remova-se com cuidado” , os defensores do “não piorem”. Cada um deles tem suas teorias e suas justificativas. O fato, porém, é que na região do crack, circulavam bandidos e assassinos em meio aos toxicômanos. Sem repressão os traficantes não sairiam de lá. Com persuasão, alguns consumidores aceitariam ajuda e outros resistiriam.
As Igrejas e ONGs fizeram sua parte, mas carecem de autoridade e meios para um combate mais efetivos aos traficantes. Na ajuda ás vítimas haveria confronto contra quem os vitimiza, como sempre há. No combate aos crucificadores haveria, como sempre, algum fogo cruzado do qual as maiores vítimas seriam o consumidores.
Alguém deu a ordem e os agentes foram lá e fizeram. De fora e comendo pipoca diante da televisão podemos todos opinar sobre como deveria ser feito. No ato de fazer nem tudo sai como na teoria. Agora ouvimos autoridades a questionar autoridades, organismos a criticar organismos, especialistas e políticos a dizer quando e como poderia ter sido aquela operação. Mas, desde os anos 90 discute-se e nada se faz.
Os cidadãos que ali moram e pagam seus impostos deveriam ser os primeiros a serem ouvidos. Os que prestam socorro às vítimas, os segundos. Não imagino que algum deles queira que aquilo se perpetue. Eles querem uma solução, mas sem maiores violências contra os usuários. Se não é papel dos agentes de repressão é de quem? Como impedir que a raposa ataque o galinheiro se não se vigia e se põe barreiras? Como detectar as raposas disfarçadas em galinhas e os lobos disfarçados em cordeiros feridos? Imagino que seria fácil ir lá e pedir gentilmente que os traficantes se retirem e não voltem mais e aos enfermos, que aceitem ajuda. Sabemos no que dá!
O processo é longo, mas um dia teria que começar. Se tivesse começado nos anos 90 já teria sido resolvido, como aconteceu em muitas regiões do mundo onde o traficante foi reprimido e as vitimas socorridas por quem sabe socorrer. Saber, muitos brasileiros sabem. O que faltou foi ação e vontade política. Agora, houve. Em cima disso, discuta-se!




