A RELIGIÃO E OS TÓXICOS

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Alguns religiosos fumam. Sabem que não lhes faz nem fará bem! A maioria das religiões, exceto por algumas seitas, combate o uso de drogas. Religião deveria ser sinônimo de libertação. Qualquer dependência, perda de raciocínio ou de liberdade de escolher, não combina com a idéia da verdadeira religião.

Isto posto, causa espécie saber que a industria do fumo e a dos entorpecentes estão entre as mais lucrativas do Brasil e do mundo. Mesmo tendo tudo contra, desde a obrigação de anunciar que o uso do cigarro pode causar doenças, mesmo tendo que competir contra os piratas, a Souza Cruz faturou, em 2003, 6,8 bilhões de reais e vendeu 76,8 bilhões de unidades, e os piratas venderam outros 40 bilhões, lucrando também eles 1,8 bilhão de reais. É dinheiro que resolveria boa parte dos problemas de saúde no Brasil. Só o que os ilegais deixam de recolher de impostos, daria para criar e suprir 140 mil ambulatórios no país. Estes dados e outros estão no excelente artigo de Fábio Altman, “ O Enigma da Souza Cruz “ na revista “Istoé- Dinheiro” n.358 de 14 de julho de 2004. O vício tem este poder. Leva milhões de pessoas a gastar o que não podem para solucionar a sua urgência e enriquecem com bilhões de dólares as contas dos que fabricam e distribuem estes produtos. Os que vendem tais produtos sabem que causam dependência e contam com isso. São muitas mega-industrias de bilhões de dólares. Perdem para a indústria bélica, mas levam mais gente à morte. Quando Jesus, no Pai Nosso, mandou orar para o Pai nos livrasse da tentação e do mal, sabia dos perigos das tentações e de suas prisões. Uma das maiores tentações do mundo é o do mergulho no álcool e nas drogas. Parece resolver naquela hora, mas é necessidade mais insistente que a fome, a sede ou o sono. No caso de certos tóxicos há, ainda, o crime, que atua em todas as pontas: na produção, na industrialização, na distribuição e na corrupção. Sacrifica milhares de vidas pelo objetivo do lucro. Mais maldito do que o vício é o seu comércio. Mede-se uma árvore pelos seus frutos. Os frutos do fumo e dos tóxicos não costumam ser bons. Combater o uso de drogas deve ser ponto de honra em todas as religiões. Não é fácil e implica muitos riscos. Jesus morreu crucificado por querer libertar um povo e, depois dele, a todos os demais. Prejudicou os projetos de quem detinha o poder. Muita gente já foi crucificada, morreu ou morrerá por lutar contra essas fábricas de morte. Mas, se queremos um mundo livre desse tipo de armadilha, temos mais é que lutar para que ninguém caia nela. Alguns animais aprendem. O ser humano também pode aprender!

Pe. Zezinho scj

© Padre Zezinho scj

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