PESSOAS VOLUNTARIOSAS
Somos chamados ao voluntariado, mas nunca a ser voluntariosos. O voluntariado sem desprendimento e gratuidade perde o sentido. Aqueles, pois, que entram para um grupo de serviço ou comunidade de vida e, uma vez lá, impõem seu modo de ser praticam um apostolado do lado oposto…
Voluntarioso é aquele que faz apenas o que tem vontade, mesmo se, ao fazê-lo, cria situações difíceis para si e para os outros. Atletas, jogadores de futebol, artistas, funcionários públicos, pregadores da fé voluntariosos, costumam ficar pouco tempo nas atividades que exercem. Sua indisciplina mais prejudica do que ajuda, por mais craques que sejam. Seguram seus contratos por muito pouco tempo. Em alguns casos, em menos de seis meses se indispõem contra a comunidade, contra os companheiros, contra as autoridades, e precisam ser removidos, transferidos, dispensados porque dobrar, não se dobram. Dividem! E ainda há quem os elogie dizendo que são lutadores! Pois sim: lutadores talvez, mas por quem ou contra quem?
São figuras difíceis. Em algum momento da vida acostumaram-se a fazer o que gostam e a não fazer o que não gostam. O temperamento leva a melhor e eles ficam na pior, porque prejudicam inúmeras pessoas. Tudo isso decorre do fato de a pessoa não saber aceitar o não e o sim da vida. Indivíduos voluntariosos chegam a passar por heróis, gente de tutano, mas não passam disso: são voluntariosos. Ou é do jeito deles ou vão embora, porque ceder, não cedem.
Podiam ter crescido e não cresceram; não agüentam muito tempo no sinal vermelho. Em menos de cinco segundos seus motores roncam! Lembram meninos de motor esquentado, impacientes que precisam passar, mesmo que o sinal esteja vermelho. Vivem de adrenalina a cem ou a mil. Se são felizes? A maioria não é. Derrotados pelo próprio temperamento difícil, a menos que se amansem, acabarão fora da raia mais cedo do que gostariam.
Não são um entre bilhões. São um contra bilhões… Em tempo de quaresma e de páscoa faz sentido pensar nos que se entregam e carregam cruzes. Estes, como Jesus, correm riscos, mas não põem a comunidade em risco. Quando a Igreja pede mais cuidado e mais preocupação pelos doentes, grita aos seus voluntários por humildade ao servir. Escrevi estas linhas sabendo dos milhões de voluntários humildes e serenos que o Brasil tem. Mas é também um alerta contra os que, dizendo querer o bem dos pequenos e oprimidos, criam conflitos porque politizam a caridade. Nas alas de muitos hospitais há anjos e há militantes políticos. Por causa deles algumas instituições acabaram na UTI. Em 45 anos de atividades já dei mais de 50 shows em beneficio de hospitais ou casas de apoio. Uns cinco ou seis deles nunca viram a cor do dinheiro arrecadado…O manda chuva mandou brasa!




