20/11/2008PERCORRI SEIS LIVRARIASPercorri ontem seis livrarias no intuito de encontrar títulos de livros sobre o assunto religião, cataloguei seiscentos e quarenta e dois livros das mais diversas igrejas e sobre os mais diversos temas. Todos queriam ensinar sobre Deus, sobre a vida, sobre a morte, sobre a convivência e sobre moral religiosa. Havia os romances, os livros esotéricos, os que pregavam certeza e os que propunham fé. Havia títulos incrivelmente absolutistas, garantindo felicidade total, apostando que Deus era do jeito que eles diziam, e aproveitavam pra atacar quem não pensava como eles.
Os autores que escrevem sobre religião, às vezes querem destruir mitos e religiões, alguns são francamente ateus, outros são serenos e religiosos e querem divulgar sua fé; outros são fanáticos e tentam impor o seu caminho que eles consideram a única verdade, o único jeito de crer. Há os argumentos nascidos de profundas elucubrações e pesquisas profanas; há os superficiais que já nas primeiras páginas mostram de onde vieram e onde querem chegar; há os testemunhais de quem garante que teve um encontro com a divindade e agora tem algo a dizer; há os questionadores e há os filosóficos que fazem pensar.
A moça que me viu vasculhando e procurando todos esses livros perguntou-me o que eu realmente queria, ao me ver anotando aqueles títulos e gravando os seus nomes e suas editoras. Respondi-lhe que anotava a preocupação do ser humano com a existência ou a não existência de Deus, ou com o relacionamento das pessoas entre si e com ele. Disse a ela que religião é importante. Felicidade, sexo e religião são os temas em maior número de livros têm nas estantes.
Ela riu e disse:
- Pior é que é verdade! E as pessoas não vivem direito nem um ou de outro. O senhor, já escreveu alguns?
- Mais de oitenta.
- Em que categoria os colocaria?
Dei risada diante da franqueza da mocinha de vinte e três anos e respondi:
- Meus livros questionam quem questiona, questiona quem não questiona e questionam quem se questiona. Escrevo para perguntar se Deus, fé, religião é isso mesmo que andam dizendo ou pode ser melhor. E ela sorrindo, disse:
- Ah bom! Isso explica porque o senhor vem tanto aqui e está sempre procurando os novos lançamentos. E como vai se chamar seu próximo livro?
- De Volta ao Catolicismo, respondi.
-Por quê?
-Porque muita gente foi embora sem saber por que foi muitos estão indo embora sem saber por que vão, muitos estão voltando sem saber por que voltam e muitos continuam confusos como antes. Estou escrevendo um livro que não tem todas as respostas nem poderia ter, mas que têm muitas perguntas que deveriam ser feitas por todos nós, a começar pelo papa, pelos bispos, pelos padres principalmente e por leigos e leigas como você.
Disse ela disse:
- Não estou indo nem voltando. Acho que estou parada. Quando escrever sobre o seu livro pode me incluir entre os católicos sentados e parados, que nem ficam nem vão, mas, como pretendo me casar na igreja católica acho que está na hora de querer saber um pouco mais sobre esta igreja na qual fui batizada, só que não quero ser catolicona, fanática, nem católica intelectualóide: quero ser católica serena. Se tiver um livro sobre isso pode me dar, que é isso que estou procurando ou pelo menos de hoje em diante vou começar a procurar.
Como eu estava gravando os títulos de livros, acabei gravando a nossa conversa e perguntei a ela se podia reproduzi-la. Ela concordou.

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